Olho tudo – o quarto, os restos, retratos invisíveis que surgem enquanto durmo, souvenirs de viagens de pessoas que nem lembro mais -, tudo, e vejo que não levaria nada disso para qualquer lugar que não fosse o lixo da memória. Poderia recomeçar tudo outra vez neste exato instante.
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Olho tudo – não há nada além de mim. E eu sou um ser flanando nas calçadas do completo desconhecido. Sem preocupar-me com os rótulos de cada coisa, sem me perturbar por não dar nome aos bois, eu provo do sabor das coisas mundanas, e gosto de saber o gosto, o cheiro, o aspecto que elas têm – o ocaso, a rua, a multidão, a escuridão, a verdade, a palavra, o prazer, a dor, a arte, a vida, a morte – ainda que cada uma delas se mostre de uma forma particular e restrita.
Queria poder descobrir a essência de cada uma para, quem sabe, poder entender um pouco mais das pessoas. Dos sentimentos mais profundos. Das perguntas que há em mim sem respostas.
Possuir a vida inteira, sabê-la, cada segundo, cada gota, cada piscar de olhos: eis meu mais íntimo desejo.
Boris Casoy perdeu a chance de sua carreira no primeiro telejornal do ano de 2010. Desperdiçou algo – por hipocrisia, reacionarismo ou cara de pau, sabe-se lá – que seria felizmente recebido por seus telespectadores como um ato de sinceridade em plena chegada do ano novo. Nada mais justo com seu público, que atura por anos e anos o bordão “Isto é uma vergonha”, dito sempre enfaticamente como “ISTO-É-UMA-VER-GONHA”
Eu gostaria muito de ter visto Boris Casoy dizer “EU-SOU-UMA-VER-GONHA”, mas ele não disse. E perdeu uma excelente chance de dizer o que realmente é uma vergonha nacional.
Para quem não viu ou não soube, linquei o lamentável episódio em vídeo aqui.
No intervalo do Jornal da Band do dia 31 de dezembro, após aparecerem dois garis desejando feliz ano novo, Casoy declarou, sem saber que seu microfone estava aberto, “que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros… O mais baixo da escala de trabalho”. No dia seguinte, após as primeiras repercussões, pediu desculpas sinceras esfarrapadas publicamente em rede nacional.
Diz a Fenaj o seguinte:
O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo solidarizou-se com os trabalhadores atingidos pela polêmica declaração do âncora do Jornal da Band, Boris Casoy, sobre o trabalho dos garis. O caso ganhou novos contornos com três ações judiciais impetradas por entidades representativas dos trabalhadores em asseio e conservação. E na internet circula a campanha “Fora Casoy”, que pede, também, um posicionamento oficial da emissora (adendo da Cláudia Flores: assine a petição online que pede explicações oficiais da Band. eu já assinei).
Já no primeiro dia útil de 2010, segunda-feira (04/01), o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo (Siemaco) entregou na emissora uma manifestação de repúdio a Boris Casoy e rejeitando o pedido de desculpas do apresentador. Para a entidade, ao manifestar o que pensa, Casoy reforçou o preconceito existente na sociedade contra os trabalhadores em serviços de limpeza.
No dia 7 de janeiro, juntamente com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Limpeza Urbana, Ambiental e Áreas Verdes (Fenascom), o Siemaco anunciou o ingresso, na justiça, com ações de reparação civil e de indenização por danos morais contra o apresentador e a empresa, além de uma específica contra Casoy por crime de preconceito.
André Freire, diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, conta que a entidade vem recebendo diversos e-mails de reclamação contra a manifestação de Boris Casoy, que não é filiado ao Sindicato. “Mas não houve, até o momento, nenhum pedido para acionar a Comissão de Ética dos Jornalistas que, se for provocada, deverá analisar o caso”, disse. A direção do Sindicato dos Jornalistas solidarizou-se com os garis diretamente envolvidos no caso e com a categoria profissional dos trabalhadores em limpeza e conservação.
Este é o pedido SINCERO de desculpas de Boris Casoy
Pedro Álvares Cabral não entendeu o sentido deste post
Eu estava pensando em escrever um post intitulado “virando a página”, mas daí lembrei que isso não existe em internet. Essa convenção é meio chata, sabe, porque limita a gente de escrever sobre um milhão de coisas.
Aliás, quem gosta de escrever deve continuar fazendo isso pensando em uma leitura impressa. Quem lê pela internet, posso afirmar, faz leitura dinâmica em algum momento, invariavelmente.
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Parêntese. Existem uns paineis nas paredes da estação do metrô Santa Cecília, em São Paulo, com fotos de grandes personagens da música e da literatura brasileira. Passo ali quase todo dia, e observo Machado de Assis, com aquele ar fidalgo, sentado, a perna cruzada, com seu monóculo e sua casaca. Sempre penso: “o velho Machado deve estar se revirando no túmulo”. O que Machado pensaria do internetês? E do miguxês? Fecha parêntese.
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Enfim, a ideia era fazer um post falando sobre a tentativa de renovar tudo, inclusive este blog, que está fadado às moscas.
Será que todos os blogs um dia morrerão? Será que as formas de comunicação não estão evoluindo rápido demais? Até sumirem? Até voltarmos para os hieróglifos? *%¨)*_*%@¨#*¨¨(&&)*&)%$@@@+)_(* Entendeu?
Eu usava e-mail. Antes, escrevia cartas. Depois do e-mail, tive ICQ, e depois MSN. Aí surgiram os blogs, fotoblogs. E o orkut. Tudo isso eu tive, até a fase de bater papo via chat do Terra. Depois do orkut, veio o twitter, e o Facebook, e o agregador de notícias em RSS. Lógico, hoje há coisas mais novas, variações desse ou daquele, como a comunicação pela internet do celular, comunicação via streamming e bibibi. Até o kindle, coisa que se pensava “do futuro”, já está à venda. Aliás, a compra pela internet também evoluiu. Mas eu não sou “consultora de tendências” (profissão nova que inventaram) e nem estou falando além do óbvio. Aliás, que este seja o único post óbvio de 2010.
Algumas coisas têm que mudar. A propósito: quem descobriu o Brasil?
a) Não sei, prefiro ver no Google.
b) Pedro Álvares Cabral
c) Yañes Pinzón, antes de Cabral
d) Os índios
e) Ele ainda não foi descoberto
f) Nenhuma das alternativas anteriores
A maneira como respondemos a esta pergunta (óbvia?) faz toda a diferença ao tentarmos descobrir a que vieram todas essas transformações tecnológicas. E se, diante disso, nos jogamos na maré de novidades ou tentamos entender para que elas realmentem servem – se é que servem para alguma coisa.
tinha tanto anúncio de viagra nos meus spam, MAS TANTO, q eu até fiquei bolada. tem algo de errado comigo? se eu fosse homem tinha me matado 5 days ago