Poema cretino

Vamos aspirar fumaça de caminhão
Pode ser que dê barato
Ou que você vire uma barata
Morrendo epilética com baygon
Se é Bayer, é bom
Mas a barata discorda.

Vamos sair para trabalhar
Mas se você for assaltante, sequestrador, traficante, bolinador de criancinhas, puxa-saco ou transportador de dinheiro público ao estrangeiro
Tire umas férias, você anda trabalhando muito.

Trabalhadores, uni-vos
Não empurrem uns aos outros para os trilhos do trem, ó consistente e homogênea massa humana
Trabalhadores, uni-vos
Somem seus salários e verão que isso não paga as despesas de final de mês do político mais próximo
Disponível em todas as casas do ramo.

Vamos garantir o rega-bofe mensal
A carne mais barata são os pés de galinha
Esses eu já tenho ao lado dos olhos
Mas dá para a canja, revigora e te deixa em pé pro dia seguinte
Já a galinha discorda.

Bêbado, não é beber e dirigir
É beber e não digerir o bêbado
Ninguém é obrigado a aguentar papo de bêbado
A não ser que o bêbado seja você mesmo.

Vamos pagar o IR, INSS, IPI, ICMS, CSS, IPTU, IPVA
Não importam as siglas
É tudo por uma boa causa. 
Talvez não seja boa pra você, mas para alguém há de ser.

É proibido fumar em ambientes públicos.
Vamos já fumar na privada.

Sorte ou revés? Tire uma carta

Dia desses, num ônibus em São Paulo, eu pensei (como tantas vezes) no fato de eu estar em São Paulo, sobre a cidade em si e sobre aquela ideia de metrópole gigantesca. A propósito odeio a palavra megalópole. Metrópole é tão mais bonito, tá certo, não são sinônimos, mas ao dizer megalópole não parece que estou dizendo “me galope”? Péssimo.

Pois bem. O fato é que eu estava no ônibus me sentindo no tabuleiro do Banco Imobiliário, passando na Rebouças, Brigadeiro, Paulista, Augusta, Jardins. E pensando no quanto era bom na época do Banco Imobiliário, afinal eu tinha dinheiro e propriedades. Sorte ou revés? Pague o aluguel. Agora, do Banco Imobiliário, eu só pago o aluguel.

Duerme negrita (Mercedes Sosa, 1935-2009)

Adiós, Negra

“La Negra se fué”, foi essa a mensagem que  eu enviei pro pai ontem pela manhã pra avisar da morte da Mercedes Sosa. Eu tinha acabado de dar a notícia na internet, foi minha última tarefa do plantão. Anunciar a morte da Negra, o que não deveria ser nenhuma surpresa, afinal ela estava há semanas internada em Buenos Aires em estado grave. Mas mesmo assim, a tristeza de perder aquele último fio de esperança de que ela sobreviveria.

Não me recordo da primeira vez que ouvi Mercedes Sosa. Era criança, e meus pais gostavam de sua música e sua voz. Não sei por que nunca foram a nenhum show dela. Mas eu lhes dei um DVD no ano passado.

Não há muito que falar. Sua arte é indescritível.  Sua voz é sem igual. Sua mensagem canta uma América que tem uma história de luta e sofrimento.

Sem mais o que dizer, me despeço com a primeira música que lembro ouvir na sua voz, lá dos confins da minha infância. O pai tinha uma K7 do grupo Tarancón. Depois disso meu (não)estilo(?) musical nunca mais foi o mesmo.

Una canción de ninar, para ella. Duerme negrita.

Duerme Negrito 

Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo, negrito
 

Duerme, duerme, mobila
Que tu mama está en el campo, mobila
 

Te va traer codornices
Para ti.
Te va a traer rica fruta
Para ti
Te va a traer carne de cerdo
Para ti.
Te va a traer muchas cosas
Para ti.
 

Y si el negro no se duerme
Viene el diablo blanco
Y zas le come la patita
Chacapumba, chacapumba, apumba, chacapumba.
 

Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo,
Negrito
Trabajando
Trabajando duramente, (Trabajando sí)
Trabajando e va de luto, (Trabajando sí)
Trabajando e no le pagan, (Trabajando sí)
Trabajando e va tosiendo, (Trabajando sí)

Para el negrito, chiquitito
Para el negrito si
Trabajando sí, Trabajando sí

Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo
Negrito, negrito, negrito.

Para ver e ouvir

Isso é justiça?

Leio a manchete e chego a ter ânsia de vômito: Senadores aproveitam aumento do STF para tentar elevar próprios salários

A questão é uma só: BARGANHA. Poder de barganha.

Os caras reajustaram em R$ 2,2 mil o salário dos juízes (que já era de R$ 24,5 mil!!!!!!) quando tem gente que não ganha 1% disso aí e está comendo lixo nas ruas.

Eu disse: comendo lixo nas ruas. Te pergunto: essa é a representação da Justiça brasileira?

Alguma vez na vida você já comeu lixo? Não, né? Comida azeda. Comida podre. Comida fermentada e que fede. São R$ 2,2 mil de reajuste, mensal. Quanto de comida a gente compra com isso. Tem gente que não tem opção. Nós temos. Isso que eu tô escrevendo soa moralista, simplista? Não interessa. Interessa o que é urgente para essas pessoas. Senadores ganham R$ 16 mil por mês pra aprovar essa bosta de reajuste. Temos cara de palhaço por acaso?

Não esqueça. Ano que vem temos eleições.

andava de modo a impressionar alguém, não sei quem. apesar de vê-lo apenas pelas costas, já que ia alguns passos à minha frente, sei que sorria.
carregava uma pilha de cadernos junto ao peito, e surpreendia o andar, ora rebolativo, ora saltitante.

olhou para trás e avistou alguém a quem emprestou seu pensamento. então, sorriu. tinha um rosto e um sorriso femininos. uma pele escura e feminina. o corpo muito magro e os cabelos muito curtos eram indiferentes ao sexo, mas era um homem. um homem muito parecido com uma mulher.

talvez ele – ela – o visse diferente. talvez se tratasse de uma mulher. uma mulher porque se sentia como tal. talvez fosse, de fato, ele, ou ela, mais feminino do que eu mesma. e o que importa o que eu penso? importa o sentimento que teve quando sorriu. uma alegria incomum, rara, incômoda, perturbadora, que transpõe o sexo, que penetra a alma.

não era homem, nem mulher. era humano.

Seja jornalista em 6 meses

Tendência para o futuro, do blog Novo em Folha.

Id, Ego e Super Ego

Este é o motivo pelo qual não venho atualizando meu blog. Tenho um Id anárquico e um Superego ditador autoritário. Assim é difícil viver, doutor.

- Pára tudo, pára tudo!
- Como assim, “pára tudo”? Parar o quê, se não tem nada acontecendo?
- Tem sim. Tem sim. Esse blog tá uma CACA.
- Ei, do que é que vocês estão falando? Será que não estão vendo que eu tô tentando escrever!
- Ninguém está te segurando.
- É, mas estão me desconcentrando.
- HELO-OU! Eu disse que era pra parar tudo! Eu quero falar, porra.
- Pois então fala e passa pra cá essa lata de leite condensado. Onde já se viu comer isso puro, tá louca? Depois não adianta reclamar deses pneus de TOYOTA.
- Cala a tua boca, ô Susan Boyle antes da fama.
- TÁTÁTÁTÁ TÁ! Será que eu posso escrever, POR GENTIL GENTILEZA??????
- Sim, professor linguiça.
- Sabe qual é o teu problema? O Twitter. Essa merda está matando o blog. Teu conhecimento ficou raso e sem sentido depois do Twitter. O Twitter é obra reacionária.
- Não viaja. Esse blog já morreu, os outros é que estão se blogcidando.
- Onde tu leu isso?
- No Twitter.
- Aff.
- O problema é que ela não tem assunto.
- Ela tem assunto sim. Mas não usa!
- Não tem.
- Tem. Só que o assunto se desintegra. A memória está prejudicada. Em vez de cérebro, ali tem geléia de mocotó.
- Mais um brasileiro sem memória. Que lástima. Quer vergonha para nós.
- PUTA QUE PARIU!!! NÃO AGUENTO MAIS VOCÊS!! PAREI COM ESSA MERDA!!!!
- Viu, eu disse, ela boicota o blog, podia ser um blog legível se ela realmente se dedicasse. Lixo.
- Vai looser, desliga aí e me deixa ver meu Orkut.

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Me, myself and I

Cláudia Flores, 26 anos, jornalista de Porto Alegre perdida em São Paulo. Procurando saber o que tudo isso significa.

@claudiaflores

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