Aos olhos do entrevistador

O Pasquim
O Pasquim, referência em grande entrevista

A entrevista é uma das modalidades mais ricas do velho jornalismo. Digo “velho”, porque as boas entrevistas, hoje, são aquelas efetuadas pelo método – se é que há um – antigo de entrevistar, isto é, a grande entrevista. Seguindo essa regra, quanto menos objetiva e mais livre for a entrevista, melhor o resultado.

Isso, é claro, não significa que os entrevistadores deixassem os entrevistados falarem o que bem entendessem. A sabatina de alguns jornais e revistas era bastante rigorosa, e apertava o entrevistado (às ganhas) para obter boas respostas. O que era dito, no entanto, vinha impresso quase que sem cortes, sem edição, revelando que o jogo entre o perguntador e o respondedor ia sempre muito além da pergunta e da resposta. Havia um contexto a ser respeitado. Havia um clima ambiental que muitas das novas entrevistas e dos novos entrevistadores, hoje, retiram do produto final como um mero empecilho à objetividade.

Nelson Rodrigues referiria-se a estes como “os idiotas da objetividade”. E com razão.

A entrevista, com o tempo, deixou as páginas de jornais e revistas para alcançar um status de “nobreza” na televisão. Hoje, o que mais se vê são programas que adotaram-na como essencial ou fundamental em suas estruturas. Ótimo? Não. Péssimo. Horroroso. Baixíssimo nível. O velho Nelson deve estar se revirando no túmulo ao ver que, na TV, o formato vem sucumbindo a cada dia, desde que os entrevistadores começaram a ser astros e, portanto, mais importantes do que seus entrevistados.

Como este post está começando a ficar extenso, portanto, não-objetivo, portanto, chato, enfadonho e maçante para a maioria dos leitores (que já devem tê-lo abandonado até aqui), vou fazer uma listinha para dinamizá-lo.

Tarso de Castro, este blóg te come
Tarso de Castro, este blóg te come

Cinco razões pelas quais as entrevistas televisivas são cocô:
• Razão um
: O entrevistador precisa convencer o público que é mais importante que o entrevistado.
• Razão dois: O entrevistador precisa convencer o público de que é amigo íntimo do entrevistado (isso vale apenas se o entrevistado for rico, famoso e influente).
• Razão três: O entrevistador precisa convencer o público de que é mais inteligente que o entrevistado (isso vale apenas se o entrevistado for pobre, humilde e/ou mais engraçado que o entrevistador).
• Razão quatro: Quanto mais talentos bizarros o entrevistado tiver, melhor (tipo lamber o cotovelo ou cantar e dançar ridiculamente).
• Razão cinco: O entrevistador precisa sempre convencer o entrevistado de alguma coisa. (tipo “seu marido trai você”, “você tem um bundão, vamos transar” ou “você não é gorda, você apenas intoxica o planeta com seus gases”.

Em defesa de uma entrevista de melhor qualidade na mídia brasileira, este blóg pretende reunir algumas dicas de boas e velhas entrevistas, para ler e assistir. Contamos com sua participação.

Só não me venha com as páginas amarelas da Veja, se não você será absolutamente excomungado desta URL.

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Cláudia Flores, 25 anos, de Porto Alegre. Procurando saber o que tudo isso significa.

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