Estou aqui para confessar a fonte dos meus pecados. Bento dezesseis já teria propriedade para me excomungar se quisesse, pois eu comento o pecado contemporâneo do consumo compulsivo de livros, revistas, CDs, DVDs e cadernetas. Simplesmente não consigo entrar numa banca, loja de discos, livraria ou papelaria sem comprar nada. Sinto-me no paraíso cultural. Confesso que adoraria que um dia fechassem uma livraria e me esquecessem dentro. Um dia tentarei me esconder em algum cantinho pra ver se funciona. Será que as livrarias tem banheiros?
Whateaver. Consegui obter duas façanhas, hoje, numa mesma compra: adquiri uma pérola rara para os amantes da música popular brasileira, e também um produto de qualidade puramente cocô. Me refiro, respectivamente, aos DVDs ”Jobim, Vinícius e Toquinho com Miúcha – Musicalmente” e o “João Bosco Ao Vivo – Obrigado, gente”.
O primeiro, que custou a bagatela de R$ 14,90 nas Lojas Americanas, é registro de uma gravação que reuniu o quarteto em um show na Itália, em 1978, com performances inexplicáveis de Tom e Toquinho, e a presença apaixonante do velho poetinha, que já não andava bem de saúde, mas nunca abria mão do seu parceiro mais constante, o copo de whisky. Aos que gostam de música de qualidade, não deixem de ver um trecho no youtube, mas, com o perdão do ímpeto consumista, não tem comparação o ato de comprar o DVD (tão baratinho!) e pensar no quanto é bom possuir o registro de uma raridade como esta. Aos que não gostam do gênero, vão todos plantar chuchu, já que não sabem o que é bom.
Quanto ao segundo, eu digo: NÃO COMPREM, É UMA BOSTA. Me desculpe, João Bosco, compositor e músico com excelência, autor de canções insubstituíveis da MPB, sou tua fã, tu é fodão, mas não podia ter aceito produzir um DVD ao vivo em que a tua voz simplesmente se anula entre os instrumentos. Deu pena de ver um cara no patamar do João Bosco se esgoelando para cantar em um teatro (Ibirapuera, em SP) em que a acústica não favoreceu, e a edição do DVD deve ter sido de um cara que dormiu ou fumou vários antes de ir trabalhar. Sorry, João Bosco, mas foi uma excelentíssima cagada. De catigoria mesmo.
Ah, e para equilibrar a péssima com a maravilhosa aquisição, também comprei de olhos fechados o Nelson Gonçalves da edição Maxximun, que tem uma gravação genial (a mim, desconhecida), chamada “E os outros que se danem Football Club”. O tio Nelson é o cara. O resto, como diria meu querido professor Wladymir Ungaretti, é perfumaria.








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