Ziguezagueava pela loja de roupas catando modelos nem tão justos, nem tão largos. Nem mulher fatal, nem maria-mijona. À procura do equilíbrio.
- Qual o tamanho que tu precisa, moça?
- Pode ser G.
Pode ser uma ova. ERA G. Pegava a pilha de cabides e a plaquinha número doze, e se dirigia para o provador.
Nunca houve objeto mais cruel no universo do que o espelho de um provador de roupa. Quase sempre são dois, de maneira a refletir também a mulher de costas, e mostram de-ta-lho-sa-men-te tin-tin-por-tin-tin cada imperfeição, cada celulite, cada pneu fora do lugar. Naquele momento, o espelho refletiria a mais horrenda das imagens, a mais branca, corpulenta e flácida das imagens. Imensa mulher. Imensa bunda.
Sai da cabine bufando com as doze peças de roupa amassadas. Larga a montanha no colo da atendente. Nenhuma, nenhumazinha das doze peças lhe serviu.
- Vai levar alguma, moça?
- NÃO!!! NÃO VOU LEVAR NADA!!!
E sai correndo do shopping. Não há nada que possa estragar mais o dia de uma mulher do que um singelo provador de roupa.



Bah, tua casa nova está muito legal.
Ah, agora estou com meu blog no clic. Estou muito feliz.
Abração, Rafael