Mulher tamanho G – episódio três

Musa de Botero

Musa de Botero

Ziguezagueava pela loja de roupas catando modelos nem tão justos, nem tão largos. Nem mulher fatal, nem maria-mijona. À procura do equilíbrio.

- Qual o tamanho que tu precisa, moça?
- Pode ser G.

Pode ser uma ova. ERA G. Pegava a pilha de cabides e a plaquinha número doze, e se dirigia para o provador.

Nunca houve objeto mais cruel no universo do que o espelho de um provador de roupa. Quase sempre são dois, de maneira a refletir também a mulher de costas, e mostram de-ta-lho-sa-men-te tin-tin-por-tin-tin cada imperfeição, cada celulite, cada pneu fora do lugar. Naquele momento, o espelho refletiria a mais horrenda das imagens, a mais branca, corpulenta e flácida das imagens. Imensa mulher. Imensa bunda.

Sai da cabine bufando com as doze peças de roupa amassadas. Larga a montanha no colo da atendente. Nenhuma, nenhumazinha das doze peças lhe serviu.

- Vai levar alguma, moça?
- NÃO!!! NÃO VOU LEVAR NADA!!!

E sai correndo do shopping. Não há nada que possa estragar mais o dia de uma mulher do que um singelo provador de roupa.

1 Resposta para “Mulher tamanho G – episódio três”


  1. 1 Rafael Terra 07/08/2008 às 8:50 pm

    Bah, tua casa nova está muito legal.
    Ah, agora estou com meu blog no clic. Estou muito feliz.
    Abração, Rafael


Deixe uma resposta




Me, myself and I

Cláudia Flores, 26 anos, jornalista de Porto Alegre perdida em São Paulo. Procurando saber o que tudo isso significa.

@claudiaflores

Add to Technorati Favorites
BlogBlogs