Mulher tamanho G – episódio quatro

Musa de Botero

Musa de Botero

Um avião parecia cruzar a barreira do som, mas era apenas seu estômago roncando. Que diabo! Recém havia comido. Um hamburger. Duplo. E batatas fritas. E meio litro de refri. Mas o refri era diet.

Do outro lado da cabine do provador de roupa, alguém disse: mãe, o M ficou grande, traz um P? No seu caso, todas as roupas eram tamanho GG. Mas algumas não serviam, ficavam apertadas demais. Para piorar, a atendente, uma anã de metro e meio, não a deixara entrar com nove peças de roupa. O máximo era oito. Mas então por que existiam as fichas nove e dez?

Aquele papo de que listras horizontais não ficam bem para uma mulher tamanho G é balela. Nada fica bem em uma mulher tamanho G. Nem estampas, nem listras, nem cores vibrantes. Mas existe algo milagroso. O pretinho básico.

– Gostosa… – sussurou um homem quando passou. O homem era feio, malvestido. – Gostosa… – disse o homem com a voz impregnada de malícia. Ainda tinha sua vaidade. Ainda procurava as melhores roupas e perfumes. – Gostosa… – o sussurro lhe bateu. E lhe trouxe um sorriso discreto de satisfação.

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Me, myself and I

Cláudia Flores, 26 anos, jornalista de Porto Alegre perdida em São Paulo. Procurando saber o que tudo isso significa.

@claudiaflores

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