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São Paulo, no domingo

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A polêmica do Vale-Cultura

Recebi um comentário da minha amiga Luísa Alves, do blog www.clicrbs.com.br/bembossa, questionando uma série de coisas que escrevi no post anterior sobre a criação do Vale-Cultura. Sugiro acompanharem a discussão. Queria ter mais opiniões a respeito. Para respondê-la, escrevi um comentário que pretendo postar logo abaixo:

Oi Lu! Tudo em perfeita (des)ordem aqui, flor, e aí?

Bom, te respondendo ao comentário. O meu preconceito, aqui, não é entre o erudito e popular. É na escolha dos critérios de definição do que é cultura na aplicação do Vale. Não achei isso escrito em nenhum lugar. Se alguém achar esses termos, gostaria muito de ler a respeito.

Nem tudo o que é entretenimento, por exemplo, é cultura. Um livro é um bem cultural. Um Machado de Assis é um bem cultural. Um “Receitas maravilhosas de Ofélia”, nesse caso, também vale como bem cultural. Concorda?

Outro exemplo. Um disco pode ser um bem cultural. Calipso (vá lá que seja) é um bem cultural. Um CD dos proibidões do funk, cujo refrão é “quero meter no seu ***”, nesse caso, também é um bem cultural, mas será que é esse tipo de cultura que o governo precisa estimular?

Domingão do Faustão é circo também. Big Brother também é circo. São cultura? Ou lixo cultural?

A minha dúvida é se, no fim das contas, todo esse dinheiro aplicado vai efetivamente contribuir para a cultura e o acesso à cultura, ou se tudo não é uma extensão do que as pessoas já tem via TV, inteiramente de graça.

Vale-Cultura. Vale mesmo?

Lendo dia desses a coluna do Gilberto Dimenstein na Folha pude pensar um pouco sobre o projeto de lei do Vale-Cultura, lançado semana passada pelo Governo Federal.

No portal do Minc na internet consta o seguinte:

“O Vale-Cultura será similar ao já conhecido tíquete-alimentação e o valor estabelecido leva em consideração o orçamento familiar do trabalhador. Trata-se de um cartão magnético, com saldo de até R$ 50,00 por mês a ser utilizado no consumo de bens e serviços culturais. As empresas que declaram Imposto de Renda com base no lucro real poderão aderir à iniciativa e posteriormente deduzir até 1% do imposto devido.

O Projeto de Lei que institui o Programa de Cultura do Trabalhador e cria o Vale-Cultura foi encaminhado ao Congresso Nacional por meio da Mensagem Presidencial nº 573, com pedido de tramitação em regime de urgência urgentíssima”.

Entenderam? Traduzindo: é uma espécie de Bolsa-Família, só que “cultural”. O Dimenstein chama de “Bolsa-Circo”. E eu acho que ele tem certa razão. Por quê?

Primeiro: Quem vai definir o que é evento cultural e o que não é? O governo? Pffff. Como em todas as parcerias público-privadas, os beneficiados (empresas) metem o dedo porque são quem financia parte da coisa.

Segundo: Em não havendo controle sobre o que é “cultural”, e aí? O dinheiro investido pelo Estado – o meu, o seu, o nosso dinheirinho – indo para um projeto que pode beneficiar, por exemplo, o show da banda Calipso. Supercultural.

O que eu estou dizendo aqui não é argumento meu, é só uma adaptação do que disse o Dimenstein na coluna dele. Mas, para justificar o porquê de eu estar reproduzindo. Ele questiona o seguinte (e isso resume tudo que já foi escrito): por que não investem essa grana no ensino público?

Para quem pegou a gripesuinofobia

Desenho by weno.com.br

Ontem estava eu numa loja e pude ouvir a proprietária contar às demais vendedoras com ar de horror:

“Meu filho acaba de ligar. Ele disse que um dos colegas dele está arrasado. A filha, uma menina de dez anos, morreu hoje da nova gripe”

E fez-se o terror.

“Parece que no metrô tá todo mundo usando máscara” – diz uma vendedora.

“Ah, tem que usar, imagina a gente lá dentro preso com um monte de gente?” – disse a outra vendedora.

“Vocês querem que eu traga máscaras pra vocês? Tenho um monte lá em casa. AAndréia trouxe do hospital” – disse a proprietária.

“Sim, traz amanhã” – disseram as outras.

Para aqueles que estão aterrorizados com o vírus H1N1, é necessário fazer a comparação entre os efeitos da gripe comum e os da nova gripe. A Folha publicou hoje matéria comparando dados de mortalidade em ambas, e mostrou que a gripe comum matou mais de 70 mil no ano passado.

Vale a pena dar uma lida e pensar se vale a pena mesmo ficar neurótico. Eu acho que basta se prevenir.

Cinebiografia: Quando a ficção apanha de relho

Peço perdão pelo tempo que fiquei sem postar, o que, na realidade, é pedir perdão para o absolutamente nada. Ninguém lê este blog e eu lamento que a culpa disso tudo seja da minha síntese perfeita de “falta de tempo + preguiça”. Já assunto, não. Assunto não falta nunca.

Para voltar já tocando num assunto que muito me agrada, me refiro a esta matéria do Estadão que fala sobre a cinebiografia como um terreno fértil para o cinema nacional. Num momento em que já temos uma obra significativa de biografias bem escritas e minuciosamente documentais, o cinema vê como grande possibilidade a recontagem destas histórias de mitos e personagens históricos e da cultura nacional.

A matéria cita como exemplo o mais novo lançamento do gênero nos cinemas, que é o documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, que ainda não estreou em Porto Alegre, relembra outros longas populares, como Cazuza, Pelé Eterno, Dois Filhos de Francisco, e anuncia a atual fase de finalização da cinebiografia de Lula, produzida por Bruno Barreto.

Confesso. Acho o máximo as biografias dramatizadas em cinema, teatro e tevê. Elas têm um glamour que a vida real não tem. Já havia falado sobre isso aqui quando comentei da minissérie Maysa, da Globo. Há o enquadramento para captar o olhar mais perfeito, há um ensaio para que se profira a fala mais certa, ou seja, é um pouco da idealização que criamos a respeito dos personagens da vida real.

Concordo plenamente com a matéria quando ela diz que a não-ficção está dando de relho na ficção, mas nada substitui os livros-biografia (a matéria não disse isso, eu que tô dizendo). A complexidade da narrativa permite, sim, que se descreva detalhadamente uma personagem em muitos aspectos sem que se crie um personagem idealizado, pelo contrário. Humano, e é aí que está a sua maior beleza.

O fim da palhaçada das concessões?

Foi no Comunique-se que eu fiquei sabendo a respeito da notícia. Diz o seguinte:

Um parecer do senador Pedro Simon (PMDB-RS) pode tornar inviável a renovação de concessões de rádios e TVs cujos proprietários sejam parlamentares. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou na última terça-feira (07/04) o parecer, que vai a plenário e já começa a provocar polêmica, visto que são quase 50 deputados e mais de 20 senadores com vínculo com veículos de Comunicação.

O que pretende o parecer de Pedro Simon, em suma: não renovar as concessões de rádio e tv a parlamentares, sejam eles proprietários, dirigentes ou etcétera. É o que diz a Contituição Brasileira em seu artigo 54:

Os Deputados e Senadores não poderão, desde a posse, ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada;

Naturalmente a ideia não foi bem recebida, já que boa parte dos congressistas concilia a posição (inconstitucional) de exercer função parlamentar e ter empresas de comunicação em seu nome. A matéria cita opiniões de senadores como Antonio Carlos Magalhães Júnior (proprietário da TV Bahia há mais de 20 anos), que achou a proposta “um absurdo” e “uma interpretação da Constituição totalmente equivocada”.

Na prática, não é proibida hoje a propriedade de emissoras na mão de congressistas. O STF apenas não permite que parlamentares sejam diretores de empresas de rádio e tv. O que Simon fez foi uma leitura fiel à Constituição, e isso nos dá uma base do quão complicado é levar a discussão adiante, já que, segundo a Constituição, “a não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal.” No Estadão conta que apenas quatro senadores estavam presentes na sessão na qual o parecer foi aprovado. Ou seja, todo esse alarde não fez nem cócegas nos donos de emissoras.

Ele perdura.

Estou satisfeita por meu post anterior sobre o dia do jornalista ter sido lido por uma quantidade (para mim) significativa de pessoas. As pessoas – respondendo à minha dúvida de ontem – realmente buscaram o significado da data supostamente comemorada em 7 de abril (supostamente porque eu não estou comemorando e muitos outros também não têm o que comemorar). Espero que, assim como eu, estes leitores ainda estejam buscando o significado real desta profissão pela qual sou ainda mais confusa do que a habitual confusão de sempre.

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Me, myself and I

Cláudia Flores, 26 anos, jornalista de Porto Alegre perdida em São Paulo. Procurando saber o que tudo isso significa.

@claudiaflores

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