Textos categorizados 'argentina'

Duerme negrita (Mercedes Sosa, 1935-2009)

Adiós, Negra

“La Negra se fué”, foi essa a mensagem que  eu enviei pro pai ontem pela manhã pra avisar da morte da Mercedes Sosa. Eu tinha acabado de dar a notícia na internet, foi minha última tarefa do plantão. Anunciar a morte da Negra, o que não deveria ser nenhuma surpresa, afinal ela estava há semanas internada em Buenos Aires em estado grave. Mas mesmo assim, a tristeza de perder aquele último fio de esperança de que ela sobreviveria.

Não me recordo da primeira vez que ouvi Mercedes Sosa. Era criança, e meus pais gostavam de sua música e sua voz. Não sei por que nunca foram a nenhum show dela. Mas eu lhes dei um DVD no ano passado.

Não há muito que falar. Sua arte é indescritível.  Sua voz é sem igual. Sua mensagem canta uma América que tem uma história de luta e sofrimento.

Sem mais o que dizer, me despeço com a primeira música que lembro ouvir na sua voz, lá dos confins da minha infância. O pai tinha uma K7 do grupo Tarancón. Depois disso meu (não)estilo(?) musical nunca mais foi o mesmo.

Una canción de ninar, para ella. Duerme negrita.

Duerme Negrito 

Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo, negrito
 

Duerme, duerme, mobila
Que tu mama está en el campo, mobila
 

Te va traer codornices
Para ti.
Te va a traer rica fruta
Para ti
Te va a traer carne de cerdo
Para ti.
Te va a traer muchas cosas
Para ti.
 

Y si el negro no se duerme
Viene el diablo blanco
Y zas le come la patita
Chacapumba, chacapumba, apumba, chacapumba.
 

Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo,
Negrito
Trabajando
Trabajando duramente, (Trabajando sí)
Trabajando e va de luto, (Trabajando sí)
Trabajando e no le pagan, (Trabajando sí)
Trabajando e va tosiendo, (Trabajando sí)

Para el negrito, chiquitito
Para el negrito si
Trabajando sí, Trabajando sí

Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo
Negrito, negrito, negrito.

Para ver e ouvir

Diário de Viagem III

tangoiii

Escrevo essas linhas ouvindo Gotan Project, e penso que não há trilha melhor para esse relato. Uma viagem tem um sabor de nova delícia mesmo que seja a um lugar que você já foi. E tudo é completamente apaixonante como os tangos portenhos (embora Gotan não seja uma banda exatamente portenha).

A chegada a Buenos Aires me trouxe uma sensação boa. Eu estava há tanto tempo sem viajar que tinha esquecido o quão bom viajar é! O barco ia se aproximando da cidade pelo Rio da Prata, e da janela só se via uns azuis difusos.

Em Buenos Aires fazia calor. Mas um calor dos infernos, como Porto Alegre em seus dias mais tórridos. Táxi até o hotel na Córdoba. O hotel tinha um elevador-cubículo que só cabiam três pessoas, mas éramos quatro. Certa vez tentamos nos apertar ali para todos subirem, e coube. Mas em seguida um alarme  começou a soar junto com uma luz piscando o aviso “sobrecarga”, sendo que teríamos que subir 11 andares nessa situação de terror. Mas sobrevivemos.

O hotel Embassy, aliás, tinha alguns problemas mesmo, nós não somos hóspedes chatos, mas puxavida, o elevador só descia até o 1º andar, sendo que para descer ao térreo só se podia pelas escadas. Ah, e o café da manhã tinha Ki-suco, ou algum outro suco artificial tipo Tang. Lamentavelmente intragável, só fazendo um mix com água junto. As medialunas (croissants) eram bem gostosos e o jamón & queso (presunto & queijo) idem. Só que todo dia era só isso de café, sempre a mesmíssima coisa.

Ah, também tinha o detalhe do vaso sanitário. É que o vaso sanitário não parecia estar afixado no chão, podendo tombar a qualquer momento com o ocupante do sanitário junto. Num dos quartos o controle remoto da tevê não funcionou nem com orações a Nuestra Señora, mas de todo modo era bonito ver a cidade pela janela.

De Buenos Aires hay muchas historias más. Pero puede esperar hasta mañana.

Buenos Aires Buenos

Escrevo de uma maquina sem acentos muito velha de um hotel muito suspeito em que nos hospedamos aqui no centro de Buenos Aires. A cidade é muito cosmopolita como disseram, e o calor é de torrar a mente como em Porto Alegre. Estamos seguindo agorinha para mais um express tour por esta cidade charmosa. O tempo será muito curto, mas eu nao quero perder minuto nenhum. Adiós muchachos : )


Me, myself and I

Cláudia Flores, 26 anos, jornalista de Porto Alegre perdida em São Paulo. Procurando saber o que tudo isso significa.

@claudiaflores

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