Textos categorizados 'brasil'

O fim da palhaçada das concessões?

Foi no Comunique-se que eu fiquei sabendo a respeito da notícia. Diz o seguinte:

Um parecer do senador Pedro Simon (PMDB-RS) pode tornar inviável a renovação de concessões de rádios e TVs cujos proprietários sejam parlamentares. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou na última terça-feira (07/04) o parecer, que vai a plenário e já começa a provocar polêmica, visto que são quase 50 deputados e mais de 20 senadores com vínculo com veículos de Comunicação.

O que pretende o parecer de Pedro Simon, em suma: não renovar as concessões de rádio e tv a parlamentares, sejam eles proprietários, dirigentes ou etcétera. É o que diz a Contituição Brasileira em seu artigo 54:

Os Deputados e Senadores não poderão, desde a posse, ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada;

Naturalmente a ideia não foi bem recebida, já que boa parte dos congressistas concilia a posição (inconstitucional) de exercer função parlamentar e ter empresas de comunicação em seu nome. A matéria cita opiniões de senadores como Antonio Carlos Magalhães Júnior (proprietário da TV Bahia há mais de 20 anos), que achou a proposta “um absurdo” e “uma interpretação da Constituição totalmente equivocada”.

Na prática, não é proibida hoje a propriedade de emissoras na mão de congressistas. O STF apenas não permite que parlamentares sejam diretores de empresas de rádio e tv. O que Simon fez foi uma leitura fiel à Constituição, e isso nos dá uma base do quão complicado é levar a discussão adiante, já que, segundo a Constituição, “a não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal.” No Estadão conta que apenas quatro senadores estavam presentes na sessão na qual o parecer foi aprovado. Ou seja, todo esse alarde não fez nem cócegas nos donos de emissoras.

O endereço do paraíso

Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá

Eis a mais bela praia pernambucana – quiçá brasileira, quiçá mundial, quiçá universal – na foto mais representativa que as minhas mãos puderam tirar de Carneiros, essa beleza de embasbacar até os mais céticos. Obra de Deus, só pode ser, mesmo que não se acredite em deus nenhum. O paraíso que provei antes de despencar nas pedras da vida real. Não posso morrer sem voltar a Carneiros, e nem ninguém devia morrer sem pisar por lá.

No primeiro plano da foto, o rio que se mistura com o mar produzindo aquele tom verde-claro da água transparente onde vemos peixes e caranguejos de todas as cores e tamanhos. Atrás, a vegetação do mangue, que cerca o rio. Mais atrás, encoberto pela vegetação, há um longo arrecife que divide o rio do mar aberto. Vê-se o mar logo depois, naquela faixa azul.

Não é romantismo piegas. Deixa-se a beira do rio de catamarã (embarcação local), e um caminho de alguns quilômetros é percorrido até a praia. A visão talvez seja a de Cabral pisando num continente intacto. As nuvens parecem ter sido esculpidas para a foto dos turistas, e os caranguejos posam quase que profissionalmente para as câmeras. Dá medo. Medo de destruir alguma coisa, como se ao tirar um grão de areia do lugar estivéssemos colaborando para a destruição daquela beleza. Quantas praias foram virgens, bonitas e despoluídas como esta no passado?

Mas ainda há muitas paisagens lindas. Em breve vão estar aqui.

Diário de viagem

Porto Alegre, 21 de dezembro de 2008.

Registrando alguns fatos da viagem a Buenos Aires e Montevideo para desempoeirar a mente que anda tão guardada em algum lugar que já não lembro mais onde foi.

14 de dezembro

9:00
A saída de Porto Alegre foi um tanto conturbada porque no momento em que estávamos todos prontos e o carro carregado, o carro não quis pegar. Fora o momento tragicômico, que nos fez perder uns 30 min de viagem, ficou a beleza de se admirar pelo caminho. Quando a paisagem e o denso ar urbano deu lugar a um ar mais fresco, mais limpo. A paisagem rural é adorável aqui no sul, porque nos sentimos personagens da epopéia farroupilha, como se em sonhos disparássemos pela pampa sobre um pingo valente. Uma imensidão verde que nos faz pensar por que no Brasil há tanta gente a reclamar por terra. E essa terra toda, é de quem? Vontade de deitar sobre o verde como que sobre um colchão macio. Vontade de sorrir sobre o verde e sonhar que a ninguém pode faltar um naco de terra como este.

12:30
Jaguarão é uma cidadezica que faz fronteira com o Uruguai. Pequenina, virgem das perdições megalomaníacas da cidade grande. Cu de mundo, no entanto, não é. A cidade que vive à beira do rio de mesmo nome é cheia de casas e prédios tombados muito jeitosos e tradicionalmente promove um carnaval de rua que – diz meu pai – é muito bom. Meu pai havia morado na cidade há vinte e sete anos atrás, quando então era um inspetor de polícia recém formado. Nunca perguntei a meu pai, mas acredito que ele não deve ter tido muito trabalho como policial por essas bandas.

À noite, as pessoas vão a praça matear, e domingo tem matiné para os mais jovens. A diversão em Jaguarão gira mesmo literalmente em torno da praça da cidade, porque as pessoas adoram dar voltas na praça, seja de carro ou a pé. Aos que acham monótono, invejem o fato de que eles podem andar à noite pelas ruas sem nenhunzinho perigo. Imaginem o que se economiza em gasolina e táxi nesta cidade!

14:00
Almoçamos em um bifê ou bufê a quilo da cidade e nos preparamos para, à tarde, cruzarmos a ponte que divide os dois países e desbravar terras uruguaias. E invadir alguns free-shops.

O Hotel Fronteira era mesmo muito fiel a seu nome e se localizava a alguns metros da ponte. Tinha wireless(!) e um pão muito interessante no desjejum. Mas um dado estranho. Tinha um ralo no teto do banheiro. Aquilo me intrigou. Para quê se teria um ralo no teto do banheiro?

16:00
Rio Branco. Este é o nome da cidade uruguaia que faz divisa com Jaguarão. Rio Branco? Mas por que não Rio Blanco?, eu questionando com o nome da cidade enquanto 99% das pessoas ali estavam muito ocupadas comprando e vendendo.

Não era tudo TÃO barato como gostaríamos que fosse, mas já era esperado graças à crise financeira mundial. Algumas coisas interessantes como as quesarias, que tinham um aroma insuportavelmente bom daqueles queijos de todos os tipos, mas admiti que sinceramente não gostaria de trabalhar dentro de uma quesaria nem a pau, porque lá dentro o cheiro de queijo é tão forte que penso que as vaquinhas se negariam a dar leite se sentissem o cheiro de seu produto final.

20:00
À noite, resolvemos jantar em territas uruguayas, e desfrutar de sua deliciosa gastronomia popular: panchos e mais panchos e chivitos e carne e a cerveza, que é a melhor que existe. Na tevê, uma chica de uns 7 anos e sua abuela assistiam ao Fantástico e pareciam entender absolutamente tudo. Já eu, em frente à TV uruguaia, só consegui entender os programas de receitas, e olhe lá.

Gente bronzeada, mostre seu valor

Tá branquinho, passa Dove

Em razão do meu recesso bloguístico (em razão do período olímpico), fico mais dormindo e trabalhando do que vivendo propriamente. Nesse período, vou ao senhor tuíter para ler coisas interessantes e curtas, que é o que a minha mente agüenta. E também escrevo alguma bobagem ali, enquanto respiro.

O mais lamentável de trabalhar nas olimpíadas é que o Brasil só ganhou quatro bronzes e o primeiro e segundo lugares na classificação são de China e Estados Unidos, ou seja, valendo a medalha de maior potência mundial. Não é querer fugir do famoso espírito olímpico, mas é só olhar as performances dos caras nas principais modalidades pra ver que não tem como competir com eles mesmo. Enfim, uma atmosfera bronzeada, como só nós bronzileiros sabemos ser.

Então já sabem: se apertar, taca-lhe um bronzeador e era isso.

* * *

Acabo de acordar após conseguir dormir 20 horas seguidas. Que recorde olímpico que nada. Phelps, essa tu não consegue sem dópin, meu filho.


Me, myself and I

Cláudia Flores, 26 anos, jornalista de Porto Alegre perdida em São Paulo. Procurando saber o que tudo isso significa.

@claudiaflores

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