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Cinebiografia: Quando a ficção apanha de relho

Peço perdão pelo tempo que fiquei sem postar, o que, na realidade, é pedir perdão para o absolutamente nada. Ninguém lê este blog e eu lamento que a culpa disso tudo seja da minha síntese perfeita de “falta de tempo + preguiça”. Já assunto, não. Assunto não falta nunca.

Para voltar já tocando num assunto que muito me agrada, me refiro a esta matéria do Estadão que fala sobre a cinebiografia como um terreno fértil para o cinema nacional. Num momento em que já temos uma obra significativa de biografias bem escritas e minuciosamente documentais, o cinema vê como grande possibilidade a recontagem destas histórias de mitos e personagens históricos e da cultura nacional.

A matéria cita como exemplo o mais novo lançamento do gênero nos cinemas, que é o documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, que ainda não estreou em Porto Alegre, relembra outros longas populares, como Cazuza, Pelé Eterno, Dois Filhos de Francisco, e anuncia a atual fase de finalização da cinebiografia de Lula, produzida por Bruno Barreto.

Confesso. Acho o máximo as biografias dramatizadas em cinema, teatro e tevê. Elas têm um glamour que a vida real não tem. Já havia falado sobre isso aqui quando comentei da minissérie Maysa, da Globo. Há o enquadramento para captar o olhar mais perfeito, há um ensaio para que se profira a fala mais certa, ou seja, é um pouco da idealização que criamos a respeito dos personagens da vida real.

Concordo plenamente com a matéria quando ela diz que a não-ficção está dando de relho na ficção, mas nada substitui os livros-biografia (a matéria não disse isso, eu que tô dizendo). A complexidade da narrativa permite, sim, que se descreva detalhadamente uma personagem em muitos aspectos sem que se crie um personagem idealizado, pelo contrário. Humano, e é aí que está a sua maior beleza.

Se ainda não assistiu, vá imediatamente para o cinema

Queime depois de ler, dos irmãos Cohen

Queime depois de ler, dos irmãos Cohen

Eu não quis colocar uma foto do Brad Pitt aqui porque não me interessa mostrar toda a sua beleza irresistível e virilidade. O Brad Pitt era sim meu “ídolo” na adolescência. E daí? Ele é lindo mesmo. Depois de velho, também será lindo. Com ou sem Angelina Jolie, ele é lindo. Com ou sem seus filhos multicoloridos e multiétnicos. Lindo. Sim, eu tinha pôsteres do Brad Pitt do meu quarto. Só ele e o Robert Redford no meu coração. Aliás, um é o outro amanhã.

Mas vamos ao que interessa: eu estou falando do doidíssimo filme Queime depois de ler, dos irmãos Cohen, e quero registrar o Brad Pitt é um PUTA ator. Fazendo comédia, como neste filme, em que faz um instrutor de academia idiota, tanto melhor. Clooney também se sai muito bem como loverboy, como já era de se esperar. John Malkovich é John Malkovich, hilário como um ex-agente da CIA alcoólatra, dá o tom bizarro-maluco-lóki-doidinho-da-silva da trama, assim como a para mim desconhecida Frances McDormand, a engraçadíssima funcionária da academia de ginástica que está obcecada por fazer plásticas no corpo todo.

Eu nem ia escrever nada sobre o filme, agora já escrevi. Vai assistir imediatamente porque é o filme mais maluco de 2008 e o ano está acabando.

Wall-E que nem os adultos entendem

O simpático Wall-E

O simpático Wall-E

– Que chato, né dinda, ninguém diz nada…

Foi assim que a minha inquieta afilhada, a Duda, reagiu aos primeiros trinta minutos do filme Wall-E, último longa animado da dobradinha Disney+Pixar que segue em cartaz nos cinemas de Porto Alegre. Com razão, nem a Duda, que tem oito anos, nem outra criança de idade próxima deve ter aguentado quieta o início do filme, que segue durante cerca de meia hora sem nenhunzinho diálogo.

A história gira em torno do simpático Wall-E, robô cujo trabalho é empilhar lixo no inóspito planeta Terra, que mais parece um ferro-velho, enquanto a humanidade gorda e sedentária vive em uma colônia espacial de última geração a algumas milhas espaciais dali. Um dia, Wall-E conhece uma robozinha ultramoderna, EVA, que embarca com ele em uma aventura em que está em jogo a vida Terráquea, simbolizada por uma plantinha que nasceu em meio ao deserto intoxicado de lixo e resíduos atômicos.

A princípio, parece complexo para o entendimento infantil, não é? Pois, no nosso entendimento, meu e da Duda, foi mesmo. É claro que ela me pareceu muito mais interessada nos gestos humanos dos robozinhos, e na aventura infantil paralela à história – em que Wall-E se apaixona por EVA e acaba correndo “risco de vida” indo até a estação espacial para salvá-la.

No entanto, me pareceu chocante mesmo para os adultos se depararem com o improvável mas possível destino da humanidade do futuro: ver os habitantes futuros a esparramar suas banhas em cadeiras eletrônicas, a desaprenderem a andar, a se comunicarem através de uma tela mesmo estando fisicamente lado a lado, tudo isso como uma projeção simbólica - não cinematográfica – mas, quem sabe, real? Futura? De tornarmos nosso planeta um monte de lixo inabitável e nos mudarmos para uma estação espacial com shopping, piscina, auto-bronzeamento?

Acho que nós, adultos, entendemos Wall-E menos – em relação ao futuro do homem - do que as próprias crianças em relação ao futuro delas. A história pode ser um pouco ficção-científica demais para os pequenos, mas não deixa de apertar na tecla de alerta para os adultos. O que está por trás de Wall-E é um futuro não muito distante – não dessa entidade desconhecida e ignorada “Planeta Terra” – mas dos seres humanos, imperfeitos, não-maquinísticos, ainda parcialmente intactos pela tecnologia. A questão é: o que seremos nesse futuro?

Eis um filmezito intrigante para crianças e adultos.


Me, myself and I

Cláudia Flores, 26 anos, jornalista de Porto Alegre perdida em São Paulo. Procurando saber o que tudo isso significa.

@claudiaflores

  • hj de manhã eu assisti um vídeo com o Lombardi sem saber que ele tinha morrido. medo 14 hours ago
  • @dessataffarel quer? te levo amanhã :D 1 day ago
  • estou tão orgulhosa da lentilha que acabei de fazer que estou pensando em mandar pra minha mãe por sedex 2 days ago
  • @flaviamreis e quanto tempo leva sem a pressão? com a panela levou 20 min! the flash, flavinha! 2 days ago
  • estou cozinhando lentilha : ) e a panela não explodiu! (ainda) 2 days ago
  • especialmente quando a camada de catupiry tem mais de uma polegada de altura 4 days ago
  • pedir catupiry na pizza é um ERRO. não façam mais isso 4 days ago
  • o arruda nunca me enganou. desde a fraude no painel do Senado, baita ladrão. tchê, vamo enquadrá esse cara 4 days ago
  • parem de fazer minuto a minuto dessa guria da minissaia, que saco. "geisy foi no show do ac/dc", "geisy peidou", "geisy cagou mole" 4 days ago
  • queria cantar como Piaf 4 days ago
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