Textos categorizados 'gênero biográfico'

Cinebiografia: Quando a ficção apanha de relho

Peço perdão pelo tempo que fiquei sem postar, o que, na realidade, é pedir perdão para o absolutamente nada. Ninguém lê este blog e eu lamento que a culpa disso tudo seja da minha síntese perfeita de “falta de tempo + preguiça”. Já assunto, não. Assunto não falta nunca.

Para voltar já tocando num assunto que muito me agrada, me refiro a esta matéria do Estadão que fala sobre a cinebiografia como um terreno fértil para o cinema nacional. Num momento em que já temos uma obra significativa de biografias bem escritas e minuciosamente documentais, o cinema vê como grande possibilidade a recontagem destas histórias de mitos e personagens históricos e da cultura nacional.

A matéria cita como exemplo o mais novo lançamento do gênero nos cinemas, que é o documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, que ainda não estreou em Porto Alegre, relembra outros longas populares, como Cazuza, Pelé Eterno, Dois Filhos de Francisco, e anuncia a atual fase de finalização da cinebiografia de Lula, produzida por Bruno Barreto.

Confesso. Acho o máximo as biografias dramatizadas em cinema, teatro e tevê. Elas têm um glamour que a vida real não tem. Já havia falado sobre isso aqui quando comentei da minissérie Maysa, da Globo. Há o enquadramento para captar o olhar mais perfeito, há um ensaio para que se profira a fala mais certa, ou seja, é um pouco da idealização que criamos a respeito dos personagens da vida real.

Concordo plenamente com a matéria quando ela diz que a não-ficção está dando de relho na ficção, mas nada substitui os livros-biografia (a matéria não disse isso, eu que tô dizendo). A complexidade da narrativa permite, sim, que se descreva detalhadamente uma personagem em muitos aspectos sem que se crie um personagem idealizado, pelo contrário. Humano, e é aí que está a sua maior beleza.

Os 100 anos da brasileira mais famosa do século XX

Carmen Miranda

Carmen Miranda

Olho com felicidade citações na Folha de São Paulo, Zero Hora, no Jornal do Brasil, Terra, O Globo, em periódicos portugueses, enfim, todos citando de alguma forma o centenário de Carmen Miranda, que é completado nesta segunda-feira, dia 9 de fevereiro. A imprensa resgatou a história desta mulher simplesmente apaixonante como pôde. Espero que muitas comemorações ainda estejam por vir.

Carmen Miranda merece ser celebrada um século depois porque foi uma mulher adiante de seu tempo. Foi uma mulher forte, ousada, de vanguarda. Carmen inspirou o Brasil em diversas áreas, fosse na música, no estilo, atitude, talento. Não há dúvida que o sucesso que ela fez nos Estados Unidos foi aproveitado muito bem sim senhor pelos marqueteiros de cá. Dizer que Carmen tinha a cara e o jeito apimentado do Brasil não deixava de ser uma grande verdade. Mas talvez não tenha sido a incorporação de um símbolo nacional o que ela realmente quisesse ser.

Antes de concluir, uma ressalva: meu trabalho de final de curso em Jornalismo foi com base no livro-biografia de Carmen Miranda escrito por Ruy Castro. A partir de Carmen – Uma biografia, eu procurei investigar o gênero da biografia como um modo legítimo de se fazer jornalismo. O Ruy Castro me mostrou, através do estilo dele, o jornalismo do bom. E isso foi, pra mim, um divisor de águas. Tudo isso me deu um gás a mais para escrever esta monografia, que compartilho com quem possa se interessar pelo assunto.

Leia e baixe em PDF: O gênero biográfico como expressão do fazer jornalístico

A versão ainda não está atualizada. Há uma correção feita pelo próprio Ruy Castro que não está alterada neste PDF (o número de entrevistas que digo terem sido feitas para o livro é – na verdade – o número de entrevistados. Cada um foi entrevistado por diversas vezes, então esta é a correção).

Academicismos à parte, sou uma apaixonada por esta pequenina grande artista. Sempre recomendo a todos que leiam o livro para formularem suas próprias visões sobre ela. A minha é que, tirando toda aquela parafernália de turbante, pulseiras, sandálias, saiotes e tudo o mais, ela, com um metro e meio de altura, era um verdadeiro mulherão.


Me, myself and I

Cláudia Flores, 26 anos, jornalista de Porto Alegre perdida em São Paulo. Procurando saber o que tudo isso significa.

@claudiaflores

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