Acabo de receber um comentário a respeito de um post meu publicado em 2 de setembro do ano passado, intitulado “A verdade não existe“. É do autor da citação feita no post, o jornalista Reynaldo Damázio. Diz ele o seguinte:
Cara Claudia, lamento que você tenha falseado meu pensamento, deslocando o parágrafo do contexto, para uso pessoal, arbitrário. Além de cometer um equívoco primário, sua atitude demonstra falta de honestidade intelectual. Não há em meu texto qualquer defesa de verdades absolutas. Leia com mais atenção… Um abraço, Reynaldo
Confesso que reagi com surpresa à ponderação do colega jornalista. Mas me senti lisonjeada em ter sua opinião registrada aqui no blog. Peço licença (e compreensão) para responder às considerações do Reynaldo, a quem não pretendi atribuir nenhum tipo de defesa de verdades absolutas.
Como eu afirmei no blog, o texto da revista, intitulado Entre o imediato e a transcendência fala a respeito da questão do Jornalismo X Literatura. Uma questão deliciosa de se ler e estudar como, suponho, julga também o autor, já que o artigo passeia pelas diversas etapas desta relação entre ficção e realidade, ilustradas pelos principais autores do gênero. Bem interessante. Mas em nenhum momento eu havia, até então, feito qualquer crítica a respeito do artigo de Reynaldo Damázio.
Em relação ao excerto, sim, realmente eu desloquei do texto somente duas frases, mas poderia ter retirado apenas um termo, “verdade”, que era o motivo da minha reflexão. Talvez eu tenha sido leviana, sim, em dizer que a verdade é algo inventado por aqueles que Nelson Rodrigues chamava de “os idiotas da objetividade”. Mas este é apenas o meu ponto de vista.
Penso também que o termo “verdade” deveria ser utilizado com mais restrição no Jornalismo. Toda verdade pressupõe um discurso, e todo discurso pressupõe um posicionamento. O que é verdade na reportagem de que falei semana passada, que Veja fez sobre Che Guevara? Para mim, manipulação é falta de honestidade intelectual. Opinião cada um tem a sua, e que bom que somos livres para pensar de maneira diversa. Reynaldo, abraço pra ti.

