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Seja jornalista em 6 meses
Publicado 20/09/2009 r jornalismo 1 ComentárioTags: imprensa, jornalismo
Ele perdura.
Publicado 09/04/2009 r jornalismo 2 ComentáriosTags: dia do jornalista, imprensa, jornalismo, liberdade de expressão, profissão
Estou satisfeita por meu post anterior sobre o dia do jornalista ter sido lido por uma quantidade (para mim) significativa de pessoas. As pessoas – respondendo à minha dúvida de ontem – realmente buscaram o significado da data supostamente comemorada em 7 de abril (supostamente porque eu não estou comemorando e muitos outros também não têm o que comemorar). Espero que, assim como eu, estes leitores ainda estejam buscando o significado real desta profissão pela qual sou ainda mais confusa do que a habitual confusão de sempre.
Feliz Dia do Jornalista?
Publicado 07/04/2009 r jornalismo 3 ComentáriosTags: dia do jornalista, história, imprensa, jornalismo, líbero badaró, liberdade de expressão, profissão
Eu sequer lembrava que comemoram o Dia do Jornalista no dia 7 de abril, portanto, hoje. Vejo colegas se entreparabenizando e me vejo na contramão. Alguma dessas pessoas sabe por que 7 de abril simboliza o dia dos profissionais de jornalismo? Alguma procurou saber?
Me dignei a saber, porque vergonha é fingir que sabe. Pois bem, tudo começou no século 19. Por causa de um italiano. Chamava-se Giovanni Baptista, mas seu nome foi traduzido ao tupiniquim e ele se tornou João Batista Líbero Badaró. Sua chegada ao Brasil foi em 1826, quando ele era um jovem mais ou menos da minha idade. Líbero Badaró simpatizou com o pensamento liberal, nacionalista e anti-totalitário. Foi político, médico e jornalista.
Em 1829, foi fundado por ele o Observador Constitucional, jornal em que expressava suas ideias liberais e também críticas ao autoritarismo do reinado de Pedro I. A grande herança de Líbero Badaró foi justamente a luta pela liberdade de expressão. Luta que, se formos analisar pelos fatos, foi interrompida de maneira covarde.
No dia 20 de novembro de 1830, a liberdade de expressão de João Batista Líbero Badaró calou-se. Um atentado à bala atingiu o jornalista, que morreu um dia depois. Conforme alguns historiadores, a ordem para o assassinato teria partido do imperador Pedro I, o grande interessado em dar fim à propagação livre de ideias.
Estava morto Badaró. Pior para o imperador. Vou citar uma fala que vi no filme Viva Zapata!: “Às vezes, um inimigo morto pode ser pior do que um inimigo vivo”. E assim o jornalista conseguiu que as transformações viessem. As manifestações contra o absolutismo continuaram, até que, em 7 de abril de 1831, D. Pedro I abdica ao trono, dando início àquele governo provisório que culminará com a precoce transformação de Pedro II em novo imperador. Mas aí já é outra história.
Essa fala toda era pra dizer que não vejo o que temos para comemorar. O jornalismo que eu queria, que eu sonhei, eu vejo morrer à míngua, e não consigo ver o que eu posso fazer para impedir que isso aconteça. Não acho que é uma questão de ter as mãos atadas. Estou e estamos, muitos de nós, inertes.
Quando penso em mim, no caminho que trilhei, me avalio de uma maneira talvez dura, mas sincera. Sou, sim, uma Bacharel em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo. Tenho o canudo aqui na gaveta para provar que sou de fato. Se sou jornalista? Não sei. Não me sinto jornalista. Já trabalhei em jornadas violentas. Já me doei completamente. Já apliquei todas as energias que eu tinha de forma a não restar forças para mais nada. Já me calei. Me submeti. Não culpo o trabalho. Sou responsável pelas minhas decisões e indecisões.
Não quero saber de felicitações. Quero saber como viver quando simplesmente não nos conformamos com as coisas como elas estão.
Anotações para uma aula subversiva – Parte II
Publicado 26/03/2009 r jornalismo 3 ComentáriosTags: jornalismo, subversão, ungaretti
ANOTAÇÃO IV – Na atualidade, sem as intimidações diretas e indiretas dos agentes da ditadura; com a consolidação das assessorias de imprensa e a formação controlada dos cursinhos de “comunicologia”; além, é claro, dos respectivos cursos em que as empresas selecionam “focas” para adestramento, eficiente instrumento de recrutamento dos confiáveis ideologicamente, a produção de imagens está no centro da imposição de bens simbólicos, reacionários e criminalizadores. O diploma não está ameaçado. Bem ao contrário, o fortalecimento da obrigatoriedade significa o fortalecimento do showrnalismo. Da prática da perfumaria. Os interesses estão sincronizados.
ANOTAÇÃO V – No cotidiano, relações de alta complexidade e competitividade consolidam uma cadeia de conivências. As imagens fotográficas, produzidas a partir do “olhar isento” das assessorias ”complementam” matérias produzidas a partir de informações de press releases, tituladas por editores, todos de confiança e treinados na introjeção dos interesses das respectivas unidades de produção da indústria pesada da comunicação de massa, para a qual todos vendem suas forças “criativas” de trabalho. Nada críticas. E showtógrafos, quando pautados, são instrumentos conscientes da “hipocrisia fotográfica”. Ou ainda: abatidos e apáticos, produzem o material já dentro das normas. O editor “filtra os delizes” em último caso. O modelo ideal de profissional, já revelado abertamente pela “Folha de São Paulo”, é o denominado jornalista multimídia. Confiável ideologicamente, capaz de alimentar todos os suportes (jornal, rádio, tv, internet), domínio de todos os instrumentos tecnológicos de comunicação, falando no mínimo uma ou duas línguas estrangeiras, limpos e assépticos. Produtores, em verdade, de secos e molhados. O Rodrigo Lopes, de Zerolândia, é um “vencedor”. É cada vez menor o lugar para gente tosca. Os subversivos já foram eliminados; alguns poucos sobrevivem nas redações por um descuido qualquer do sistema. Estão clandestinos. E, com razão, amedrontados. JORNALISMO é subversão.
ANOTAÇÃO VI – Repetitivamente não posso deixar de assinalar que temos a exata noção do o quanto é complexa toda esta questão. Assim como, mais uma vez, registramos que não temos a pretensão – e muito menos ainda a arrogância – de acharmos que temos toda a verdade. Reivindicamos, apenas, uma parte dela. Este não é um suporte (internet/blog) muito adequado a um longo texto. Ainda mais com fundo preto e letras vermelhas [do layout original do blog Ponto de Vista]. Temos, por isso mesmo, a noção de que muitas palavras, idéias e raciocínios estão aqui “jogados” a partir de pressupostos. Conceitos possuem uma história, uma determinada trajetória de incorporação de outros conceitos.
ANOTAÇÃO VII – Ainda assim, a partir de todas estas considerações, precisamos assinalar que como jornalista (da velha geração) e professor temos o péssimo hábito de pensar. Arriscamos. Esta prática fica sempre associada a uma determinada forma, a de pensar criticamente. É evidente que – e não poderia ser de outra forma – muitas de nossas avaliações poderão estar equivocadas. Mas são resultantes deste pensar criticamente, de forma absolutamente honesta. Nenhuma de nossas considerações estão orientadas pela ganância, inveja ou por algum tipo de ressentimento de caráter pessoal. Sou um privilegiado. Não estou submetido à tortura que deve ser (para quem tem caráter) vender a força de trabalho à mídia corporativa. A selva capitalista conta com a necessidade de sobrevivência de todos nós. Por um descuido do sistema ingressei na academia. E tenho diante de mim jovens e, para alguns deles, em número cada vez menor com o passar dos anos, ainda faz sentido o que digo em sala de aula. A estes tenho doado minha alma. Com modéstia estou construindo uma história como educador. Os cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado), formadores dos professores que, por sua vez, irão formar os futuros jornalistas pertecem a esta esfera de conivências. Não por acaso, com raríssimas excessões, os alunos que ingressam são aqueles dos quais não tive uma boa impressão na graduação. Quase sempre legimatores de professores especializados no adestramento da covardia. O ensino do nosso país é uma tragédia.
Do blog Ponto de Vista, do professor Wladymir Ungaretti, cujo conteúdo foi censurado injustamente. Importante que se saiba que continua crescendo o número de pessoas questionando esta decisão judicial. Esta discussão deve continuar pelo benefício da nossa liberdade de opinar e pelo trabalho que o professor Ungaretti tem feito – dentro e fora das salas de aula – no curso de Jornalismo da Fabico, onde me formei. Esta é uma demonstração pequena mas sincera do meu apoio, meu respeito, carinho, admiração e profunda gratidão.
Anotações para uma aula subversiva
Publicado 26/03/2009 r jornalismo 1 ComentárioTags: jornalismo, subversão, ungaretti
ANOTAÇÃO I – Na produção de imagens fotográficas não existe um “olhar isento”. Nem tão pouco uma “edição igualmente isenta”. Pensadores, com elevado grau de sofisticação intelectual, já escreveram sobre o tema. Lembro de textos de Vilém Flusser, Adorno e Walter Benjamin. Ainda assim, nunca é demais (re)afirmarmos que existe uma disputa ideológica na produção e respectiva utilização das imagens. Uma imagem sugere uma determinada subjetividade. Fotógrafos produzem, conscientemente ou não, estas subjetividades. Bens simbólicos.
ANOTAÇÃO II – Não por uma simples e inexplicável vontade do Divino Espírito Santo que, em plena ditadura, o curso de jornalismo foi desvinculado da área de ciências sociais (no caso da UFRGS) e sua estrutura física deslocada para o campus da saúde. Para o mais absoluto isolamento e onde permanece até os dias atuais. Agora, bem ao lado da Escola Técnica. E, quase que na mesma ocasião, os militares criaram as faculdades de “comunicologia” e a habilitação em RP (relações públicas). Medida assinada pelos ministros Jarbas Passarinho e Delfim Neto.
ANOTAÇÃO III – Nos tempos atuais, ao examinarmos todo o material fotográfico de uma edição de Zerolândia, por exemplo, constatamos que cerca de 95%, em média, de todas as fotos publicadas são originárias das assessorias de imprensa e das agências. Creditadas como foto/divulgação. Não se trata apenas de uma questão de redução dos custos operacionais. É uma necessidade “empresarial” de controle político e ideológico. No passado, velhos e combativos fotógrafos realizavam seus registros a partir de um “determinado olhar”, assim como a maioria dos repórteres escreviam, também, a partir de um determinado enfoque. Um quadro geral que acabou determinando, por parte da ditadura, um descarado incentivo às atividades das assessorias de relações públicas. É desse período o aparecimento dos “jornalistas” com duplo emprego. Prática não mais necessária, nos tempos atuais, pela disponibilidade de profissionais, além da necessidade da manutenção da imagem de isenção. Segue a babaquice da discussão da obrigatoriedade do diploma. Os bons fotógrafos(as), diplomados, estão quase todos desempregados.
Do blog Ponto de Vista, do professor e amigo Wladymir Ungaretti.
Os 100 anos da brasileira mais famosa do século XX
Publicado 09/02/2009 r biografias , jornalismo , literatura , música Deixar um ComentárioTags: biografia, biography, brazilian bombshell, carmen miranda, centenário, gênero biográfico, jornalismo, literatura, literature, música, music, ruy castro, trabalho acadêmico, vida
Olho com felicidade citações na Folha de São Paulo, Zero Hora, no Jornal do Brasil, Terra, O Globo, em periódicos portugueses, enfim, todos citando de alguma forma o centenário de Carmen Miranda, que é completado nesta segunda-feira, dia 9 de fevereiro. A imprensa resgatou a história desta mulher simplesmente apaixonante como pôde. Espero que muitas comemorações ainda estejam por vir.
Carmen Miranda merece ser celebrada um século depois porque foi uma mulher adiante de seu tempo. Foi uma mulher forte, ousada, de vanguarda. Carmen inspirou o Brasil em diversas áreas, fosse na música, no estilo, atitude, talento. Não há dúvida que o sucesso que ela fez nos Estados Unidos foi aproveitado muito bem sim senhor pelos marqueteiros de cá. Dizer que Carmen tinha a cara e o jeito apimentado do Brasil não deixava de ser uma grande verdade. Mas talvez não tenha sido a incorporação de um símbolo nacional o que ela realmente quisesse ser.
Antes de concluir, uma ressalva: meu trabalho de final de curso em Jornalismo foi com base no livro-biografia de Carmen Miranda escrito por Ruy Castro. A partir de Carmen – Uma biografia, eu procurei investigar o gênero da biografia como um modo legítimo de se fazer jornalismo. O Ruy Castro me mostrou, através do estilo dele, o jornalismo do bom. E isso foi, pra mim, um divisor de águas. Tudo isso me deu um gás a mais para escrever esta monografia, que compartilho com quem possa se interessar pelo assunto.
Leia e baixe em PDF: O gênero biográfico como expressão do fazer jornalístico
A versão ainda não está atualizada. Há uma correção feita pelo próprio Ruy Castro que não está alterada neste PDF (o número de entrevistas que digo terem sido feitas para o livro é – na verdade – o número de entrevistados. Cada um foi entrevistado por diversas vezes, então esta é a correção).
Academicismos à parte, sou uma apaixonada por esta pequenina grande artista. Sempre recomendo a todos que leiam o livro para formularem suas próprias visões sobre ela. A minha é que, tirando toda aquela parafernália de turbante, pulseiras, sandálias, saiotes e tudo o mais, ela, com um metro e meio de altura, era um verdadeiro mulherão.
A verdade não existe (isso não é uma verdade)
Publicado 10/01/2009 r jornalismo , literatura 1 ComentárioTags: jornalismo, jornalismo literário, literatura
Acabo de receber um comentário a respeito de um post meu publicado em 2 de setembro do ano passado, intitulado “A verdade não existe“. É do autor da citação feita no post, o jornalista Reynaldo Damázio. Diz ele o seguinte:
Cara Claudia, lamento que você tenha falseado meu pensamento, deslocando o parágrafo do contexto, para uso pessoal, arbitrário. Além de cometer um equívoco primário, sua atitude demonstra falta de honestidade intelectual. Não há em meu texto qualquer defesa de verdades absolutas. Leia com mais atenção… Um abraço, Reynaldo
Confesso que reagi com surpresa à ponderação do colega jornalista. Mas me senti lisonjeada em ter sua opinião registrada aqui no blog. Peço licença (e compreensão) para responder às considerações do Reynaldo, a quem não pretendi atribuir nenhum tipo de defesa de verdades absolutas.
Como eu afirmei no blog, o texto da revista, intitulado Entre o imediato e a transcendência fala a respeito da questão do Jornalismo X Literatura. Uma questão deliciosa de se ler e estudar como, suponho, julga também o autor, já que o artigo passeia pelas diversas etapas desta relação entre ficção e realidade, ilustradas pelos principais autores do gênero. Bem interessante. Mas em nenhum momento eu havia, até então, feito qualquer crítica a respeito do artigo de Reynaldo Damázio.
Em relação ao excerto, sim, realmente eu desloquei do texto somente duas frases, mas poderia ter retirado apenas um termo, “verdade”, que era o motivo da minha reflexão. Talvez eu tenha sido leviana, sim, em dizer que a verdade é algo inventado por aqueles que Nelson Rodrigues chamava de “os idiotas da objetividade”. Mas este é apenas o meu ponto de vista.
Penso também que o termo “verdade” deveria ser utilizado com mais restrição no Jornalismo. Toda verdade pressupõe um discurso, e todo discurso pressupõe um posicionamento. O que é verdade na reportagem de que falei semana passada, que Veja fez sobre Che Guevara? Para mim, manipulação é falta de honestidade intelectual. Opinião cada um tem a sua, e que bom que somos livres para pensar de maneira diversa. Reynaldo, abraço pra ti.



