Textos categorizados 'jornalismo'



Censurando o Ungaretti

Acabo de ler com surpresa, pra mim foi novidade, no Observatório da Imprensa, que o fotógrafo da Zero Hora Ronaldo Bernardi está processando o Ungaretti. O artigo, do jornalista ex-fabicano Ronaldo Martins Botelho, é do mês passado, e traz uma análise que eu assino embaixo. Vale a pena dar uma lida, e uma olhada nos comentários do professor a respeito das fotos do cara.

O paraíso dos iconoclastas

Che Guevara é ídolo de muitos que nem sabem quem ele foi

Avisto sobre a mesa da sala uma Revista Sextante não tão antiga, do segundo semestre de 2007. É só com entrevistas, mas não lembro de ter lido todas. Abro justamente numa com o jornalista Luiz Pilla Vares, falecido no final do ano passado. Na entrevista, ele comenta o nojo que sentiu a despeito da matéria publicada em Veja (2007) sobre os 40 anos da morte de Ernesto Che Guevara. Então comecei a lembrar da polêmica que a tal matéria causou e resolvi dar uma relembrada no assunto. A propósito dos 50 anos da Revolução Cubana, recomendo uma leitura cuidadosa neste texto.

Como homem de carne e osso, com suas fraquezas, sua maníaca necessidade de matar pessoas, sua crença inabalável na violência política e a busca incessante da morte gloriosa, foi um ser desprezível. (Veja, e leia a íntegra)

Um ser desprezível, Che Guevara? Quem afirma? Os brilhantes repórteres de Veja Diogo Schelp e Duda Teixeira, no mais alto de sua conivência ideológica aos padrões da revista. É claro que a matéria deu o que falar, saíram alguns comentários no Mídia Independente, chineleando a capacidade da Veja de contar uma versão deturpada da história sem o mínimo de fundamento (entenda-se por fontes e contextualização histórica, que é como transformar Che num vilão da novela das oito), e ainda uma resposta de Jon Lee Anderson, biógrafo de Che, que pode ser lida, com seus desdobramentos, no blog do Pedro Doria. Diogo Schelp até tentou uma réplica, mas a mensagem de Anderson colocou a “reportagem” de Veja em sua devida posição. O verdadeiro ânus do pseudojornalismo nacional.

* * *

Capa da Rolling Stone Latina

Capa da Rolling Stone Latina

A propósito de Che, tenho aqui em minhas mãos a edição passada da revista Rolling Stone latinoamericana, que traz o guerrilheiro na capa. Assim como nesta capa, o rosto de Che está espalhado pelos quatro cantos de Buenos Aires, cidade que há pouco visitei e que em breve pretendo retornar. O rosto de Che está até em tampinha de garrafa, em camisetas abraçado a Maradona, a cartões postais e em cédulas gigantes que há para vender em bancas de revistas na Calle Florida. É uma overdose total que os portenhos cultivam com orgulho, assim como a outros ícones como Gardel, Evita Perón e Maradona. Algo que nós jamais faríamos com Pelé, por mais gênio que fosse. Buenos Aires é o paraíso dos iconoclastas. Então por que a Revista Veja não se muda para lá? Mira, e por qué no te callas?

* * *

A propósito: a reportagem sobre Che da Revista Rolling Stone dá de relho na Vejinha. Eles entrevistaram Tristán Bauer, argentino que está produzindo um documentário sobre o revolucionário com arquivos inéditos. Também há uma matéria com o ator portoriquenho Benicio Del Toro, que vai interpretar Che no cinema, e ainda com Jon Lee Anderson, o biógrafo antes citado, entre outros. Muito bacana, pois não quis transformar Che em Jesus, no Exu incorporado ou algo deste tipo. Há que se considerar que ele não era nem uma coisa nem outra. E eu ainda quero ler essa biografia.

Tio Mino é pau na mesa

Estou aqui atualizando o meu blogroll e me surpreendo com esse videozinho no blog do Mino Carta. É o próprio comentando de forma elegantemente articulada, no que ele é mestre, esculhambando uma afirmação do presidente do STF, Gilmar Mendes, em razão de investigação realizada pela revista Carta Capital.

O Tio Mino, que ficou por cima da carne seca em relação à omissão do restante da imprensa a respeito do caso Daniel Dantas, mostra agora categoricamente, em vídeo, como se põe o pau na mesa.

Imagens de uma Vida

revistalife

Estou até agora impressionada com a última novidade do Gúgol que chegou ao meu conhecimento: um precioso arquivo de imagens da Life contendo milhares de fotos (muitas inéditas) da revista desde o século 19. Temas diversos da cultura, esportes, história, além de lugares do mundo e personalidades são mostrados em imagens de grandes fotógrafos da revista, como a foto acima, feita em 1970 por Larry Burrows.

A foto do menino vietnamita foi tirada durante a guerra em seu país, e é descrita assim:

O paraplégico Lau Nguyen, de 10 anos, ferido durante a Guerra do Vietnã, que voltou para casa depois de 3 anos de tratamento médico nos Estados Unidos que foi fornecido pelo COR (Comitê de Responsabilidade).

Apesar da pretensiosa descrição do indescritível, recomendo clicarem aqui e bisbilhotarem muita coisa bonita enquanto é grátis.

Livros, cafés, prosas e uma notícia espetacular

biblioteca dos meus sonhos

biblioteca dos meus sonhos

Pois então, voltei a escrever. Já não era sem tempo. Quem sabe não começo a expelir teias de aranha e me torno mais feliz? Bem, esta era a notícia espetacular.

* * *

Ainda estou ruminando os frutos do café que tomei esta semana com o professor Ungaretti. Ganhei um livro do Alejo Carpentier! (que prometo, veementemente prometo, resenhar para este blóg), e ainda uns cafés e mais uma aula tão simplesmente espetacular, que ainda estou digerindo a prosa toda. Poderia ter ficado ali umas trocentas horas ouvindo conversas mil que, assim como na biblioteca da minha imaginação, o professor vai empilhando seus livros e mais livros e histórias que dariam muitos outros livros sensacionais.

O restante, da minha gratidão, nada posso expressar. O tempo e os sonhos dirão.

Me faça pensar

Felizes são as amebas. Não precisam perder seu glorioso tempo de vida refletindo sobre suas existências. Se as amebas vivessem em sociedade, no entanto, teríamos aí um grande problema. Quem concentraria o poder? As pobres amebas subalternas precisariam achar um jeito de medir seus graus de subalternância. Por exemplo, a ameba mais velha. A ameba anciã teria mais direito sobre o destino da população das demais amebas subalternas. Não deixaria de ser subalterna. As amebas não têm ambição.

Não pretendia fazer aqui uma reflexão sobre a organização social das amebas. Afinal, são amebas, seres muito simples. Membrana plasmática + citoplasma + núcleo. E mitocôndria. A ameba não seria nada sem a mitocôndria.

* * *

Eu, como muitas centenas de jornalistas provincianos, freqüentei às aulas do professor Rüdiger na faculdade. O professor Francisco Rüdiger era odiado por muitos porque era diferente da maior parte das pessoas que circulava pela faculdade de comunicação. Muitos se formaram jornalistas, publicitários e relações públicas provincianos com a certeza de que o professor Rüdiger era um sujeito muito arrogante que só lecionava na UFRGS para que isso constasse em seu bem-fornido currículo lattes. E pelo salário, óbvio.

Às pessoas que saíram da universidade pensando assim, bom, lhes digo que podem ser gente da melhor qualidade. Talentosos redatores, repórteres, RPs que agora ziguezagueiam pelo mercado de trabalho provinciano (alguns, porém, resistiram e foram mais longe do que isso) de Porto Alegre e arredores. No entanto, elas jamais voltarão à universidade. Traumatizadas, claro, pelas aulas incompreensíveis deste indivíduo, então bigodudo, chamado Rüdiger.

Não concordo com essa parcela da população universitária que concluiu isso ao longo de seus quatro, seis ou oito anos de curso, se é que concluiu isso, se é que concluiu o curso. O professor Rüdiger, no entanto, não precisa de argumentação alguma em seu favor. Logo, digo apenas o que penso: ele tentou, tentou mesmo, com todo o seu sarcasmo, nos fazer pensar. Nos tratou, por vezes, como amebas subalternas, para que assim, quem sabe, caíssemos na sua provocação. Muitos, no entanto, reagiram como amebas ofendidas. Outros entenderam. E começaram a refletir sobre suas existências. Mas refletir nos dói e nos deprime. Já as amebas, estas sim, são felizes.

Aos olhos do entrevistador

O Pasquim
O Pasquim, referência em grande entrevista

A entrevista é uma das modalidades mais ricas do velho jornalismo. Digo “velho”, porque as boas entrevistas, hoje, são aquelas efetuadas pelo método – se é que há um – antigo de entrevistar, isto é, a grande entrevista. Seguindo essa regra, quanto menos objetiva e mais livre for a entrevista, melhor o resultado.

Isso, é claro, não significa que os entrevistadores deixassem os entrevistados falarem o que bem entendessem. A sabatina de alguns jornais e revistas era bastante rigorosa, e apertava o entrevistado (às ganhas) para obter boas respostas. O que era dito, no entanto, vinha impresso quase que sem cortes, sem edição, revelando que o jogo entre o perguntador e o respondedor ia sempre muito além da pergunta e da resposta. Havia um contexto a ser respeitado. Havia um clima ambiental que muitas das novas entrevistas e dos novos entrevistadores, hoje, retiram do produto final como um mero empecilho à objetividade.

Nelson Rodrigues referiria-se a estes como “os idiotas da objetividade”. E com razão.

A entrevista, com o tempo, deixou as páginas de jornais e revistas para alcançar um status de “nobreza” na televisão. Hoje, o que mais se vê são programas que adotaram-na como essencial ou fundamental em suas estruturas. Ótimo? Não. Péssimo. Horroroso. Baixíssimo nível. O velho Nelson deve estar se revirando no túmulo ao ver que, na TV, o formato vem sucumbindo a cada dia, desde que os entrevistadores começaram a ser astros e, portanto, mais importantes do que seus entrevistados.

Como este post está começando a ficar extenso, portanto, não-objetivo, portanto, chato, enfadonho e maçante para a maioria dos leitores (que já devem tê-lo abandonado até aqui), vou fazer uma listinha para dinamizá-lo.

Tarso de Castro, este blóg te come
Tarso de Castro, este blóg te come

Cinco razões pelas quais as entrevistas televisivas são cocô:
• Razão um
: O entrevistador precisa convencer o público que é mais importante que o entrevistado.
• Razão dois: O entrevistador precisa convencer o público de que é amigo íntimo do entrevistado (isso vale apenas se o entrevistado for rico, famoso e influente).
• Razão três: O entrevistador precisa convencer o público de que é mais inteligente que o entrevistado (isso vale apenas se o entrevistado for pobre, humilde e/ou mais engraçado que o entrevistador).
• Razão quatro: Quanto mais talentos bizarros o entrevistado tiver, melhor (tipo lamber o cotovelo ou cantar e dançar ridiculamente).
• Razão cinco: O entrevistador precisa sempre convencer o entrevistado de alguma coisa. (tipo “seu marido trai você”, “você tem um bundão, vamos transar” ou “você não é gorda, você apenas intoxica o planeta com seus gases”.

Em defesa de uma entrevista de melhor qualidade na mídia brasileira, este blóg pretende reunir algumas dicas de boas e velhas entrevistas, para ler e assistir. Contamos com sua participação.

Só não me venha com as páginas amarelas da Veja, se não você será absolutamente excomungado desta URL.

« Página anterior


Me, myself and I

Cláudia Flores, 26 anos, jornalista de Porto Alegre perdida em São Paulo. Procurando saber o que tudo isso significa.

@claudiaflores

Add to Technorati Favorites
BlogBlogs