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Os 100 anos da brasileira mais famosa do século XX

Carmen Miranda

Carmen Miranda

Olho com felicidade citações na Folha de São Paulo, Zero Hora, no Jornal do Brasil, Terra, O Globo, em periódicos portugueses, enfim, todos citando de alguma forma o centenário de Carmen Miranda, que é completado nesta segunda-feira, dia 9 de fevereiro. A imprensa resgatou a história desta mulher simplesmente apaixonante como pôde. Espero que muitas comemorações ainda estejam por vir.

Carmen Miranda merece ser celebrada um século depois porque foi uma mulher adiante de seu tempo. Foi uma mulher forte, ousada, de vanguarda. Carmen inspirou o Brasil em diversas áreas, fosse na música, no estilo, atitude, talento. Não há dúvida que o sucesso que ela fez nos Estados Unidos foi aproveitado muito bem sim senhor pelos marqueteiros de cá. Dizer que Carmen tinha a cara e o jeito apimentado do Brasil não deixava de ser uma grande verdade. Mas talvez não tenha sido a incorporação de um símbolo nacional o que ela realmente quisesse ser.

Antes de concluir, uma ressalva: meu trabalho de final de curso em Jornalismo foi com base no livro-biografia de Carmen Miranda escrito por Ruy Castro. A partir de Carmen – Uma biografia, eu procurei investigar o gênero da biografia como um modo legítimo de se fazer jornalismo. O Ruy Castro me mostrou, através do estilo dele, o jornalismo do bom. E isso foi, pra mim, um divisor de águas. Tudo isso me deu um gás a mais para escrever esta monografia, que compartilho com quem possa se interessar pelo assunto.

Leia e baixe em PDF: O gênero biográfico como expressão do fazer jornalístico

A versão ainda não está atualizada. Há uma correção feita pelo próprio Ruy Castro que não está alterada neste PDF (o número de entrevistas que digo terem sido feitas para o livro é – na verdade – o número de entrevistados. Cada um foi entrevistado por diversas vezes, então esta é a correção).

Academicismos à parte, sou uma apaixonada por esta pequenina grande artista. Sempre recomendo a todos que leiam o livro para formularem suas próprias visões sobre ela. A minha é que, tirando toda aquela parafernália de turbante, pulseiras, sandálias, saiotes e tudo o mais, ela, com um metro e meio de altura, era um verdadeiro mulherão.

Há 25 anos: Briga de cachorro grande

Em briga de Caetano x Francis, ninguém mete a colher

Ninguém mete a colher: a montagem tá tosca sim, e daí?

Eu tinha apenas dez dias de vida – embora minha mãe diga que eu nasci gordota como uma criança de três meses – quando ele!, Ruy Castro (O cara), publicou na Ilustrada da Folha de São Paulo uma polêmica bem polêmica entre dois sujeitos muito polêmicos.

De um lado, Caetano Veloso (ícone iconoclasta tropicalista) que havia recém entrevistado Mick Jagger (ícone roquenrrôl) no programa Conexão Internacional, de Roberto D’Ávila (grande entrevistador), na TV Manchete (que já foi pra cucuia) em 1983. De outro lado, a crítica ácidosulfúrica de Paulo Francis que, não gostando da dita entrevista, publicou o seguinte na FSP do dia 25 de junho de 1983:

É evidente, por exemplo, que Mick Jagger zombou várias vezes de Caetano na entrevista na TV Manchete. O pior momento foi aquele em que Caetano disse que Jagger era tolerante e Jagger disse que era tolerante com latino-americanos (sic), uma humilhação docemente engolida pelo nosso representante no vídeo.

Ao saber-se lascado pelo texto altamente corrosivo de Francis, Caetano retrucou sem o mesmo refinamento de seu adversário, ao mesmo jornal:

Agora o Francis me desrespeitou. Foi desonesto, mau-caráter. É uma bicha amarga. Essas bonecas travadas são danadinhas.

Hilário, não? Como se não bastasse o bafafá esse, Ruy Castro pôs mais lenha na fogueira publicando uma enquete com personalidades brasileiras com a seguinte pergunta: “quem faz mais sua cabeça: Paulo Francis ou Caetano Veloso?” Antes de ficar imaginando as pérolas que apareceram nas respostas, veja você mesmo qual foi o escore desta briga.

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Jornalismo e biografias

Existe vida pós-monografia. Existe sim, embora a gente pense que vai pirar saindo louco pelas ruas pelado gritando “eu odeio a abnt!!! morte à abnt!!!”, um dia ela chega ao fim e um alívio inimaginável toma conta do corpo da gente.

Eu me envolvi com o meu tema. Me envolvi demais. Me apaixonei pelo livro, pelo autor e pela personagem. Mergulhei no fundo da obra como se estivesse há quase um século atrás, vendo aquela mulher espetacular subir ao palco e dedicar ao seu público uma existência inteira.

Leia e baixe a versão final do texto


Me, myself and I

Cláudia Flores, 26 anos, jornalista de Porto Alegre perdida em São Paulo. Procurando saber o que tudo isso significa.

@claudiaflores

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