
Escrevo essas linhas ouvindo Gotan Project, e penso que não há trilha melhor para esse relato. Uma viagem tem um sabor de nova delícia mesmo que seja a um lugar que você já foi. E tudo é completamente apaixonante como os tangos portenhos (embora Gotan não seja uma banda exatamente portenha).
A chegada a Buenos Aires me trouxe uma sensação boa. Eu estava há tanto tempo sem viajar que tinha esquecido o quão bom viajar é! O barco ia se aproximando da cidade pelo Rio da Prata, e da janela só se via uns azuis difusos.
Em Buenos Aires fazia calor. Mas um calor dos infernos, como Porto Alegre em seus dias mais tórridos. Táxi até o hotel na Córdoba. O hotel tinha um elevador-cubículo que só cabiam três pessoas, mas éramos quatro. Certa vez tentamos nos apertar ali para todos subirem, e coube. Mas em seguida um alarme começou a soar junto com uma luz piscando o aviso “sobrecarga”, sendo que teríamos que subir 11 andares nessa situação de terror. Mas sobrevivemos.
O hotel Embassy, aliás, tinha alguns problemas mesmo, nós não somos hóspedes chatos, mas puxavida, o elevador só descia até o 1º andar, sendo que para descer ao térreo só se podia pelas escadas. Ah, e o café da manhã tinha Ki-suco, ou algum outro suco artificial tipo Tang. Lamentavelmente intragável, só fazendo um mix com água junto. As medialunas (croissants) eram bem gostosos e o jamón & queso (presunto & queijo) idem. Só que todo dia era só isso de café, sempre a mesmíssima coisa.
Ah, também tinha o detalhe do vaso sanitário. É que o vaso sanitário não parecia estar afixado no chão, podendo tombar a qualquer momento com o ocupante do sanitário junto. Num dos quartos o controle remoto da tevê não funcionou nem com orações a Nuestra Señora, mas de todo modo era bonito ver a cidade pela janela.
De Buenos Aires hay muchas historias más. Pero puede esperar hasta mañana.

