Da necessidade de escrever

Escrevo desde os quatro anos, quando fui alfabetizada pela minha mãe. Desde então, sigo em uma estrada de amor e ódio com a própria escrita. Mas por quê?

Posso dizer hoje, vinte anos depois que comecei, que a minha relação com a escrita é conflituosa porque não escrevo por hobby, nem por amor ou tampouco por achar que o que escrevo seja bom. Escrevo apenas por necessidade.

Necessidade um: ganhar dinheiro. Depois de algum tempo gastando meus punhos com escutas radiofônicas e Control Cês e Control Vês, finalmente estou trabalhando com redação propriamente dita.

Necessidade dois: preciso me expressar através da escrita. Preciso escrever para me lembrar das coisas, do passado, dos pensamentos, das idéias, dos sonhos.

Abro as gavetas abarrotadas de papéis com anotações e microanotações, abro arquivos de computador com diversos escritos – terminados e não-terminados – abro meus rascunhos pseudoliterários nas caixas de e-mail, abro minhas caixas de cartas recebidas e não-enviadas, meus diários de adolescência e tudo isso me enlouquece às vezes. Um caos de pensamentos de outros momentos da minha vida, coisas que quero e coisas que não quero lembrar, coisas que eu penso que são da melhor e da pior qualidade, coisas que me seduzem a recolhê-las e a rasgá-las e a queimá-las para sempre. Cadernetas. Sabem quantas cadernetas eu tenho com escritos? Na verdade, não faço a menor idéia de quantas são. Mas são muitas. E muitos cadernos. E quando posso, compro mais cadernetas. Tenho um vício em cadernetas.

Estás a pensar: não é muita tempestade para um copo d’água? Mas não é. É um problema. Achar no meio de tanta coisa escrita algo que possua algum valor para alguém. Um poema, uma crônica que seduza algum leitor. Algo que possa acrescentar qualquer coisa entre a montanha de informações sem valor que circula pela internet e pelo mundo inteiro.

O que não me deixa parar: existe muita coisa dentro de mim que precisa sair. Meus fantasmas, meus monstros, minhas fadinhas, minhas ilhas de Lost, meus podres, todos. Como posso viver sem essas linhas que escrevo?

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