Wall-E que nem os adultos entendem

O simpático Wall-E

O simpático Wall-E

– Que chato, né dinda, ninguém diz nada…

Foi assim que a minha inquieta afilhada, a Duda, reagiu aos primeiros trinta minutos do filme Wall-E, último longa animado da dobradinha Disney+Pixar que segue em cartaz nos cinemas de Porto Alegre. Com razão, nem a Duda, que tem oito anos, nem outra criança de idade próxima deve ter aguentado quieta o início do filme, que segue durante cerca de meia hora sem nenhunzinho diálogo.

A história gira em torno do simpático Wall-E, robô cujo trabalho é empilhar lixo no inóspito planeta Terra, que mais parece um ferro-velho, enquanto a humanidade gorda e sedentária vive em uma colônia espacial de última geração a algumas milhas espaciais dali. Um dia, Wall-E conhece uma robozinha ultramoderna, EVA, que embarca com ele em uma aventura em que está em jogo a vida Terráquea, simbolizada por uma plantinha que nasceu em meio ao deserto intoxicado de lixo e resíduos atômicos.

A princípio, parece complexo para o entendimento infantil, não é? Pois, no nosso entendimento, meu e da Duda, foi mesmo. É claro que ela me pareceu muito mais interessada nos gestos humanos dos robozinhos, e na aventura infantil paralela à história – em que Wall-E se apaixona por EVA e acaba correndo “risco de vida” indo até a estação espacial para salvá-la.

No entanto, me pareceu chocante mesmo para os adultos se depararem com o improvável mas possível destino da humanidade do futuro: ver os habitantes futuros a esparramar suas banhas em cadeiras eletrônicas, a desaprenderem a andar, a se comunicarem através de uma tela mesmo estando fisicamente lado a lado, tudo isso como uma projeção simbólica – não cinematográfica – mas, quem sabe, real? Futura? De tornarmos nosso planeta um monte de lixo inabitável e nos mudarmos para uma estação espacial com shopping, piscina, auto-bronzeamento?

Acho que nós, adultos, entendemos Wall-E menos – em relação ao futuro do homem – do que as próprias crianças em relação ao futuro delas. A história pode ser um pouco ficção-científica demais para os pequenos, mas não deixa de apertar na tecla de alerta para os adultos. O que está por trás de Wall-E é um futuro não muito distante – não dessa entidade desconhecida e ignorada “Planeta Terra” – mas dos seres humanos, imperfeitos, não-maquinísticos, ainda parcialmente intactos pela tecnologia. A questão é: o que seremos nesse futuro?

Eis um filmezito intrigante para crianças e adultos.

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