O saldo da Feira

Fazia tanto tempo que não escrevia que não consegui fazer minhas últimas considerações sobre a Feira do Livro de Porto Alegre antes que a Feira terminasse. De qualquer forma, a Feira já se acabou mas eu preciso falar sobre isso porque esta 54ª Feira do Livro foi uma feira em que lucrei. Sim, lucrei horrores. Sem ganhar nenhum tostão, é claro, gastei no fim das contas até mais do que podia. Mas a soma de páginas, o cheiro dos sebos e a sensação dos livrinhos em minhas mãos são a melhor coisa.

Mas vamos lá, ao saldo da Feira 2008:

Memórias de Adriano

Memórias de Adriano

Memórias de Adriano, de Marguerite Youcenar. 5 pilas no saldão. Levou 27 anos para ser concluído, diz aqui na orelha que “teve  diversos manuscritos destruídos, outros desaparecidos, outros interrompidos para pesquisas mais profundas e” [o que me chamou mais atenção] “crises de desânimo diante da magnitude da obra. Nas horas de desencorajamento, a autora visitava museus, consultava bibliotecas e sofria diante da obra inacabada”. A grande chave do livro é que Madame Youcenar o escreveu em primeira pessoa, como se fosse um livro de memórias escrito pelo próprio Imperador Adriano. Imagina a loucura em que essa mulher entrou ao escrever as memórias de um imperador da Roma antiga em plenos anos 1950. Estou louca para ler, mas este não é o primeiro da fila. De “importância transcendental”, é assim que a tradutora classifica o livro. É uma leitura obrigatória para o estudo da biografia. Youcenar parece ter mudado a maneira de ver a história. Aqui deixamos de ver a história positivista dos grandes heróis indefectíveis da humanidade. A história de um grande homem por uma sensível mulher.

A Alma Encantadora das Ruas
A Alma Encantadora das Ruas

A alma encantadora das ruas, de João do Rio. Doze pilas, edição quentinha de tão nova.
Ele era impecavelmente elegante, ou, como define Renato Cordeiro Gomes, um homem de “terno bem talhado, camisa de seda, gravata fina, colete, colarinho alto e rígido, chapéu de bico, monóculo, bengala, um figurino à moda de Paris e Londres”. Seu nome era Paulo. Paulo Barreto. Mas João engoliu Paulo. E se tornou um dos maiores talentos brasileiros do que diz respeito à crônica e à etnografia. O homem descreveu o Rio de Janeiro como se descreve milimetricamente e lindamente um corpo feminino – no qual, sabemos, ele não era chegado – mas com toda a maestria. Era um adorador das ruas, era um freqüentador das altas rodas da high society carioca e dos terreiros de candomblé dos morros. Dizem que, quando João do Rio morreu, o Rio parou por um segundo. E metade da população da cidade veio dos quatro cantos para jogar João na terra da qual ele nunca deixou de fazer parte.

E aceito indicações de mais livros BONS!

(Continua…)

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