A polêmica do Vale-Cultura

Recebi um comentário da minha amiga Luísa Alves, do blog www.clicrbs.com.br/bembossa, questionando uma série de coisas que escrevi no post anterior sobre a criação do Vale-Cultura. Sugiro acompanharem a discussão. Queria ter mais opiniões a respeito. Para respondê-la, escrevi um comentário que pretendo postar logo abaixo:

Oi Lu! Tudo em perfeita (des)ordem aqui, flor, e aí?

Bom, te respondendo ao comentário. O meu preconceito, aqui, não é entre o erudito e popular. É na escolha dos critérios de definição do que é cultura na aplicação do Vale. Não achei isso escrito em nenhum lugar. Se alguém achar esses termos, gostaria muito de ler a respeito.

Nem tudo o que é entretenimento, por exemplo, é cultura. Um livro é um bem cultural. Um Machado de Assis é um bem cultural. Um “Receitas maravilhosas de Ofélia”, nesse caso, também vale como bem cultural. Concorda?

Outro exemplo. Um disco pode ser um bem cultural. Calipso (vá lá que seja) é um bem cultural. Um CD dos proibidões do funk, cujo refrão é “quero meter no seu ***”, nesse caso, também é um bem cultural, mas será que é esse tipo de cultura que o governo precisa estimular?

Domingão do Faustão é circo também. Big Brother também é circo. São cultura? Ou lixo cultural?

A minha dúvida é se, no fim das contas, todo esse dinheiro aplicado vai efetivamente contribuir para a cultura e o acesso à cultura, ou se tudo não é uma extensão do que as pessoas já tem via TV, inteiramente de graça.

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3 pensamentos sobre “A polêmica do Vale-Cultura

  1. Oie, Cláudia! Aqui estou eu navamente. Entrei muito por acaso no teu blog, mas ótimo saber que meu comentário até rendeu um post. 😀

    Se formos nos questionar a respeito do que é cultura ou não vamos relativizar muita coisa, não? Afinal pra um antropólogo, por exemplo, cultura é tudo, tudo o que envolve nosso comportamento. Até dentro de uma família temos cultura interna. E mais: na visão de um homem do campo, cultura é o que ele cultiva lei na terra. Literal ou não é isso mesmo.

    Ainda acho que pra um país onde a cultura é extremanete multifacetada e efervescente e só quem dá bola pra isso é que vem de fora, valorizar o fato de o “público interno” poder interagir com isso é algo que deve ser feito ao menos pra iniciar o processo de ‘cultivo da cultura’ brasileira ou não. Livros são pucos lidos e caros, shows são caros e visto por públicos seletos, filmes, comprados “piratamente” no camelô. Por que não lembrar os trabalhadores: tem muita coisa boa acontecendo, usufrua!

    Ainda vai dar muito pano pra manga esses questionamento, mas acho que vale mesmo continuar se questionando mesmo:

    http://bravonline.abril.com.br/conteudo/assunto/gente-nao-quer-so-comida-431273.shtml

    bjbj

  2. Haha, foi o dia das discórdias ontem, também fiquei sozinha em relação ao assunto veja, senso comum?
    Mas é aquilo que te falei, acho que, mais que um programa pra incentivar a cultura, apesar do nome esse vale mais serve como um vale-entretenimento mesmo. E se a gente lembrar que essas pessoas que vão ser privilegiadas vão ter uma vantagem que hoje não tem, então acho válido…
    Bom, na próxima ida ao boteco de sempre a gente continua 🙂

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