desejo

Olho tudo – o quarto, os restos, retratos invisíveis que surgem enquanto durmo, souvenirs de viagens de pessoas que nem lembro mais -, tudo, e vejo que não levaria nada disso para qualquer lugar que não fosse o lixo da memória. Poderia recomeçar tudo outra vez neste exato instante.

* * *

Olho tudo – não há nada além de mim. E eu sou um ser flanando nas calçadas do completo desconhecido. Sem preocupar-me com os rótulos de cada coisa, sem me perturbar por não dar nome aos bois, eu provo do sabor das coisas mundanas, e gosto de saber o gosto, o cheiro, o aspecto que elas têm – o ocaso, a rua, a multidão, a escuridão, a verdade, a palavra, o prazer, a dor, a arte, a vida, a morte – ainda que cada uma delas se mostre de uma forma particular e restrita.

Queria poder descobrir a essência de cada uma para, quem sabe, poder entender um pouco mais das pessoas. Dos sentimentos mais profundos. Das perguntas que há em mim sem respostas.

Possuir a vida inteira, sabê-la, cada segundo, cada gota, cada piscar de olhos: eis meu mais íntimo desejo.

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