Quando a trilha salva

Dia desses eu e o Bito estávamos com um daqueles “papos de velho”. Chegávamos à conclusão de que as novelas de hoje em dia “não são tão boas como antigamente”, e talvez essa seja uma das razões pelas quais temos assistido muito mais programas de viagem e gastronomia do que qualquer outra coisa. Ah, e estamos assistindo Big Brother de vez em quando sim, embora nenhum dos dois admita.

Mas as novelas. Eu comentei esses dias que dá um pouco de vergonha alheia assistir a essas novelas atuais, com histórias fraquinhas, maquiavelismos extraordinários e, mais do que tudo, muita putaria. Já viram quantos casos de traição têm nessa novela das oito? Milhares! Ok, infidelidade existe, nós sabemos, mas também não precisava colocar 80% do elenco pulando a cerca.

Acho que é por isso que estão reprisando “Vale Tudo” no canal Viva. Vale Tudo é genial, tem vilões preconceituosos, alpinistas sociais e diálogos realistas. Aliás, falta diálogo a essas novelas de hoje. Esse papo de “quem matou fulano de tal” não funciona se a novela não é boa.

MAS… Às vezes tem algum elemento que salva a novela. Uma ou outra atuação brilhante, algum ator “hors concours”… ou uma boa trilha.

No caso dessa nova novela das oito da Globo, “Insensato Coração” (aliás, nome horrível), eles cagaram na abertura (também horrível, aliás, as aberturas também não são mais as mesmas em tempos de HD), mas incluíram na trilha canções brasileiras populares e bacanas, ainda que em novas versões.

Para o tema da separação do Antônio Fagundes e da Natália do Valle, tascaram a maravilhosa versão de Maria Bethânia para “Trocando em Miúdos” (de Chico Buarque):

Tem ainda Toquinho e Vinícius na versão original de A Tonga da Mironga do Kabuletê, que adorei ouvir na trilha:

Como nada é perfeito, incluíram uma versão ‘pagode’ de “O Sol Nascerá”. E já que o velho Cartola deve estar se revirando no túmulo, posto a original:

A trilha da abertura, que quase sempre é assassinada em novelas (pela extrema repetição), é “Coração em Desalinho”, que ganhou uma versão chatinha com a Maria Rita, mas que originalmente é de dois sambistas tradicionais, Ratinho e Mauro Diniz.

Trilha às vezes salva. Ou ajuda a desandar de vez.

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Um pensamento sobre “Quando a trilha salva

  1. Hhahah, quando encontrei o Vicente e a Ju aí em Poa comentávamos exatamente isso, somos um bando de velhos, sempre comentando “como o tempo passa”… E fala sério, só Só dizer “Insensato coração” já dá vergonhinha… Nem precisa ver a novela… Que nome ridículo!

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